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terça-feira, 5 de julho de 2016

Dualismo cristão

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co.10.31)

A quantidade de evangélicos no Brasil tem crescido bastante, e isso é bom. Contudo, o grande número de igrejas e o tamanho cada vez maior delas não têm reduzido os problemas sociais na mesma proporção. Encontramos um número muito grande de cristãos em empresas, comércio e universidades, todavia a sociedade não é purificada do paganismo nem adquire novos modelos culturais. As roupas estão cada vez mais curtas; as festas pagãs não acabam; a corrupção não diminui; o paganismo predomina nas universidades; o comércio continua avarento. O fenômeno causa estranheza e parece contraditório, mas possui resposta: dualismo cristão.
Um aluno universitário contou-me recentemente que alguns colegas se queixaram ao saber que um professor havia usado a pesquisa deles para realizar uma palestra, sem dar os devidos créditos aos alunos pesquisadores. Infelizmente, o que o professor fez não é incomum, mesmo entre grandes escritores de nossos dias, mas a maioria das pessoas não sabe disso. A maior tristeza do aluno foi descobrir que o professor que usurpou a glória da pesquisa é membro de uma igreja de nossa cidade. Há dois meses, passando ao lado de outra grande igreja, fui incomodado com duas cenas: na primeira, vi muitas jovens saindo da igreja com roupas tão curtas e vergonhosas quanto as que encontramos em mulheres do mundo; na segunda cena, um carro que esperava alguém da igreja ficou parado na rua atrapalhando o trânsito inteiro, deixando-nos por quase 20 minutos parados esperando, sem demonstrar qualquer respeito pelos cidadãos.
Há dois anos, aproximadamente, estávamos numa loja de roupas, comprando um vestido. Enquanto minha esposa provava alguns vestidos, eu observava a loja atento aos modelos de roupas vendidos lá. Notei, então, que além dos vestidos, havia diversas minissaias, shortinhos e roupas com decotes extravagantes. Talvez, eu não devesse me preocupar com isso, afinal é comum encontrarmos esse tipo de roupa nas lojas. Contudo, algo me chamou atenção: uma música evangélica estava tocando no som ambiente da loja. Atentei, também, para o fato da vendedora estar vestida com roupas típicas de certos grupos evangélicos: saia jeans e camisa bem composta. Curioso com o contraste entre a mercadoria e as marcas de um possível evangelicalismo, perguntei para a vendedora se ela era evangélica. Ela confirmou e ainda disse que a dona do estabelecimento também era evangélica. Então, me senti obrigado a iniciar um diálogo sobre a contradição entre a “fé” que professavam e aquilo que vendiam, afinal elas comercializavam o que não tinham coragem de usar, pois sabiam que era errado. Elas não haviam visto o problema presente no dualismo cristão que praticavam, pois aprenderam a viver uma “fé” de gueto, um cristianismo que não muda o mundo, uma mera tradição religiosa.
O dualismo cristão está ajudando a transformar o cristianismo numa religião de foro íntimo. Consequentemente, a “fé” se tornou um mero elemento da cultura, praticada apenas dentro da esfera religiosa. Ao transformar a fé numa área da cultura, o dualismo criou vidas antitéticas ou bipolares: o professor crente ora antes de sua aula, mas em seguida ensina o evolucionismo como se fosse verdade; o trabalhador cristão diz que confia em Deus, mas procura estabilidade nos concursos públicos; o comerciante evangélico fala de amor, mas vende ao próximo o que não é necessário, por um preço acima do justo; o cidadão crente pede a Deus para que tome o controle da nação, mas apoia partidos pagãos marxistas, ateus, abortistas e defensores da imoralidade.
Cristo é Senhor de tudo, não apenas do culto dominical vespertino! Jesus é o redentor da criação e transformador da sociedade, mas isto não significa colocar o nome “gospel” após a cultura pagã. Por isso, o Senhor ordena que não “vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm.12.2). A igreja é o exército de Deus enviado para levar adiante a bandeira do Reino de Cristo. Ao fincar a bandeira do Senhor num lugar, a igreja proclama que o Reino de Deus está representado ali, e, por isso, novas leis regerão o povo; novos costumes serão ensinados; novo comportamento será exigido. Desta forma, a “justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm.14.17) substituem paulatinamente os maus hábitos do mundo pagão, manifestando a chegada do Reino dos céus, anunciando que Cristo é Senhor de tudo.

Portanto, seja cristão em todo e qualquer lugar. Não importa se você está em casa, na rua, na empresa, no comércio, na escola, na universidade ou junto com os irmãos da igreja, seja o mesmo em todo lugar. Sua nova vida abrange tudo que você é, faz e tem. Desta forma, seu ser deve refletir a glória de Cristo, mostrando para todos que “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl.2.20); suas ações devem ser dirigidas pela Palavra de Deus, pois “somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras” (Ef.2.10); seus pertences devem ser instrumentos para abençoar o próximo, pois “mais bem-aventurado é dar do que receber” (At.20.35). Tudo o que você fizer, faça-o para a glória de Deus (1Co.10.31) como representante do Reino dos céus; consagre sua vida a Cristo, para que você seja bênção onde estiver; e, procure na Palavra do Senhor toda direção necessária, a fim de demonstrar a presença do Reino de Deus entre nós, proclamando que tudo pertence a Cristo.

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