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quarta-feira, 5 de junho de 2024

Salmo 12

 


Socorro, SENHOR! Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens.” (Sl.12.1)

 

Os salmos de Davi dão impressão que ora as lutas dele ficam piores ora Deus alivia sua carga. No Salmo 12, Davi está profundamente perplexo com a depravação dos homens. Eram dias difíceis, e quando uma geração, como a nossa, vive dias difíceis, temos a impressão que tudo se perdeu, pois o pecado consegue se sobressair às virtudes humanas decorrentes da graça comum da imagem de Deus no homem.

Nesse salmo, Davi destaca a maldade dos lábios dos pecadores e faz um paralelo com a Palavra de Deus, pois enquanto os homens “falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido” (Sl.12.2), “as palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes” (Sl.12.6). Por isso, a oração de Davi é imprecatória, a fim de que Deus seja glorificado em seu justo juízo, “corte o SENHOR todos os lábios bajuladores, a língua que fala soberbamente” (Sl.12.3).

Então, olhando para a Santidade e o Poder de Deus, Davi expressa sua confiança: “Sim, SENHOR, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre” (Sl.12.7). Portanto, não importa o que os homens digam, Deus é o Senhor de tudo e todos, e nEle Davi se refugia. Diferente de Eva que preferiu ouvir a voz da serpente (Gn.3.1-6), Davi ouve a voz do Senhor e deposita nEle a sua confiança, pois a Palavra de Deus é fiel e verdadeira.

Contudo, diferente das demais orações de Davi, que terminam com uma afirmação positiva, esse salmo é concluído com sua indignação, advertindo às gerações sobre o profundo perigo de permitir que o mal se espalhe, pois “por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada” (Sl.12.8). Davi conclama os retos a lutarem contra toda maldade, mesmo que Deus seja poderoso para guardar seu povo.

E Jesus lutou contra os perversos e os venceu. Suas batalhas travadas nos evangelhos são modelos para a igreja e sua vitória contra as hostes do mal é nosso verdadeiro consolo nas lutas do dia a dia. Então, siga lutando e confiando no Senhor, sabendo que, enquanto isso, Ele guarda você.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Cristo, Salmos e Você - Salmo 12


Por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada.” (Sl.12.8)

Você não está cansado dos problemas morais do mundo? A impressão é que a moral do mundo está descendo ladeira abaixo muito rapidamente, solapando a base da sociedade: a família. Ocasionalmente, parece que “já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens” (Sl.12.1). E como se não bastassem os problemas políticos e culturais, o cristianismo se mostra bastante enfermo, de modo que até dentro das igrejas locais “falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido” (Sl.12.2).

Essa experiência infeliz e esse sentimento triste não são exclusividade de nossa geração e nação. Desde que o homem pecou contra o Senhor (Gn.3), o “mundo jaz no maligno” (1Jo.5.19), “não há um justo, nem um sequer” (Rm.3.10) e, portanto, a sociedade está sujeita à degradação da cultura que culmina, de tempos em tempos, no caos moral, conforme nos revela a narrativa do dilúvio (Gn.6-9). Semelhante a um vírus o pecado se prolifera até tomar conta de todo o corpo, levando o indivíduo à morte; assim como o mofo, o pecado se alastra por todo o ambiente até deixa-lo sombrio e inabitável, caso ninguém intervenha dando fim ao avanço do mal. Muitas gerações testemunharam os danos do pecado e muitos justos suspiraram perturbados por viverem numa geração corrompida. Davi passou pela mesma experiência angustiante e soltou gritos de socorro ao Senhor, pois somente Deus poderia intervir, tanto convertendo o coração dos pecadores quanto fazendo justiça em toda a terra, livrando, assim, aqueles que temem o Senhor das garras dos homens ímpios (Sl.12.1).

O clamor de Davi também ecoou da boca de Cristo: “geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei?” (Mt.17.17). Jesus presenciou os efeitos do pecado na sociedade, se aborreceu com os hipócritas (Mt.23), se entristeceu com a miséria espiritual de seu povo (Lc.19.41) e chamou os “cansados e sobrecarregados” (Mt.11.28) para que, nEle, encontrassem alívio. Jesus testemunhou a injustiça, a mentira e a falsidade naqueles que se opuseram-lhe dia a dia, tantas vezes com palavras bajuladoras: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens” (Mt.22.16//Mt.12.38) e na cruz clamou a Deus Pai: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt.27.46). Portanto, o clamor indignado e angustiado de Davi também nos remete para os sentimentos de Cristo diante de uma “geração incrédula e perversa” (Mt.17.17).

Além de nos remeter ao sofrimento do Messias, o Salmo 12 nos conduz à graça de Cristo. Por isso, Jesus chamou as multidões a si mesmo, a fim de que encontrassem alívio nEle (Mt.11.28). O pecador cansado de um mundo mentiroso, injusto e perverso encontra refúgio em Cristo que, por meio da Palavra e do Espírito de Deus, liberta do império das trevas, todo aquele que crê. Os pobres, os sofridos e os marginalizados foram abrigados por Jesus que comeu com eles, andou no meio deles, libertou os cativos do diabo e deu esperança de vida eterna a todos os que nEle creram. Dessa forma, Jesus se levantou “por causa da opressão” (Sl.12.5) não somente dos pobres, mas, também, de muitos outros pecadores.

Quando nos sentimos tristes por causa do mundo enganador em que vivemos, somos lembrados ainda, pela Palavra de Deus, que há uma esperança de vida eterna, um “novo céu e nova terra” onde “a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap.21.1,4). Então, aqueles que encontram abrigo em Jesus são atraídos a refugiar-se nas “Palavras do Senhor”, “palavras puras” como “prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes” (Sl.12.6); Palavra que não mente nem engana jamais; que revela o pecado do coração do pecador e concede graça e misericórdia a todo aquele que arrependido entregar a vida ao Senhor.

Por fim, o Salmo 12 aponta para necessidade de orarmos: “venha o Teu Reino; faça-se a Tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt.6.10), pois em um mundo que jaz no maligno “por todos os lugares andam os perversos” (Sl.12.8). Então, a igreja deve usar “a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças em favor de todos os homens” (1Tm.2.1), para que Deus intervenha impedindo a proliferação do mal na sociedade. Além disso, a igreja é lembrada de sua responsabilidade como “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt.5.13-16), propagadora e praticante da Verdade, agente de transformação de todas as esferas da cultura social.

Portanto, por pior que seja a situação em que se encontram as denominações, a nação e o mundo, há uma esperança: Jesus. Mesmo em um mundo em que “a vileza é exaltada” (Sl.12.8), os justos devem lembrar que há um reto Juiz para quem podem clamar por socorro. O caos ao nosso redor demonstra a necessidade que o pecador tem de Cristo e, por meio da Palavra de Deus, o cristão é lembrado que sua esperança não está nesse mundo, mas nas promessas de Deus, na vida eterna que Ele prometeu para aqueles que nEle creem. A perversão da sociedade deve, ainda, despertar o cristão para a necessidade de propagar a justiça e a Verdade, a fim de mudar o mundo a seu redor. E recordar que, em Jesus, os crentes encontram guarida, bem guardados do mundo mau, mesmo que tenham que pagar o preço de pertencer a Cristo (Mt.5.11-12).