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sábado, 29 de junho de 2019

Você está pronto para morrer?


Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp.1.21)

Não fomos feitos para a morte, mas para a vida. Deus criou o homem para viver nEle e com Ele para sempre, alegrando-se na glória do Senhor, plenamente cheios da presença divina. Não havia morte no paraíso, pois o homem não morreria enquanto fosse fiel à Palavra de Deus (Gn.2.16-17). Todavia, o orgulho e a cobiça surgiram no coração de Eva ao ser tentada por Satanás e a presença graciosa e abundante de Deus não lhe foi mais suficiente (Gn.3.1-6). Então, Adão e Eva pecaram contra Deus, rejeitando tudo que haviam recebido do Criador, e, com isso, a morte entrou no mundo interferindo em seu curso normal.

Por essa razão, o ser humano não se acostuma com a morte, não consegue lidar com ela com naturalidade, mesmo sabendo ser inevitável. Vem geração e vai geração e não nos acostumamos com o fato de que todas as pessoas ao nosso redor morrerão um dia, inclusive nós mesmos. A morte é sempre vista como um intruso em nossas vidas, afinal não fomos feitos para morrer, mas, sim, para viver.

Contudo, a morte passou a fazer parte do curso da vida de todos os pecadores e assim será até o dia da volta de Jesus (1Co.15.51-58). Por isso, é necessário que estejamos prontos tanto para lidar com a morte das pessoas ao nosso redor quanto com o fato de que chegará, também, o dia da nossa morte. Portanto, precisamos perguntar: você está pronto para morrer?

Essa pergunta possui duas respostas: A primeira resposta tem caráter objetivo, pois diz respeito à justificação necessária ao pecador para que este esteja pronto para morrer e se encontrar com Deus, o justo juiz de toda a terra. A segunda resposta aborda o caráter subjetivo da questão, ou seja, o modo como o sujeito lida pessoalmente com o assunto, tanto emocionalmente quanto racionalmente.

É fundamental que a primeira resposta ao assunto tenha um caráter objetivo, pois independentemente de como cada um se comporte diante da realidade da morte, o mais importante é como Deus receberá cada pessoa. Medo ou coragem, fraqueza ou força, tristeza ou alegria podem anteceder o dia da morte, mas não determinarão a forma como Deus receberá o pecador após sua morte.

Então, o que define, objetivamente, se alguém está realmente pronto para morrer? Podemos encontrar essa resposta no texto de Romanos 5.1-2: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.” Paulo fala objetivamente de nossa redenção, ou seja, do estado como a pessoa que crê no Senhor Jesus se encontra diante de Deus por causa do sacrifício eficaz e suficiente do Filho de Deus.

Sete termos/expressões são chaves no texto: Justificados, , paz, Jesus Cristo, graça, firme, esperança. Por meio dessas palavras sabemos o que é necessário para que estejamos prontos para morrer. Três delas nos falam do estado em que o homem deve se encontrar diante do Senhor: Precisamos estar justificados, ou seja, sem qualquer dívida para com Deus; necessitamos estar em paz com Deus, ou seja, não mais debaixo da ira dEle; carecemos estar debaixo da graça divina, ou seja, do favor não merecido da parte de Deus, como um súdito que encontra o favor do Rei, o rosto da realeza reluzindo satisfatoriamente para ele.

Os demais termos do texto bíblico mencionado acima comunicam o meio pelo qual o pecador desfruta dos três (justificados, paz, graça) estados necessários para que esteja pronto para morrer. Ou seja, o pecador precisa ter na pessoa do Senhor Jesus Cristo, mantendo-se firme nesta fé até o fim, através da qual deverá exercer uma viva esperança do desfrute da glória de Deus (fé, Jesus Cristo, firme, esperança). Somente assim, o pecador pode ser considerado pronto para morrer e se encontrar com Deus sem que aquele dia lhe seja penoso, pois aqueles que não estiverem objetivamente prontos para se encontrarem com Deus serão julgados por seus muitos pecados e condenados à morte eterna, o inferno.

A segunda resposta à questão: “Você está pronto para morrer?”, é subjetiva, pois diz respeito à forma como você, particularmente, lida com a realidade da morte. Para responder a esta questão, usaremos outro texto de Paulo: “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança” (1Ts.4.13). O texto completo (1Ts.4.13-18) fala tanto sobre o caráter objetivo quanto subjetivo de se estar pronto para morrer. Nesse momento, desejamos enfatizar apenas o caráter subjetivo, tendo em vista já termos dado a primeira resposta.

Então, pergunto novamente: “Você está pronto para morrer?”. E como você lida com a morte de outras pessoas? Ou seja, você se desespera diante da realidade da morte? Você fica com medo, nervoso(a), angustiado(a), triste ou coisa semelhante? É importante a forma como você subjetivamente lida com a morte, pois demonstra uma maior ou menor maturidade cristã e uma maior ou menor comunhão com Cristo.

Paulo nos diz em 1Ts.4.13 que o cristão não deve ficar entristecido à semelhança das pessoas que não conhecem a Cristo e que, portanto, não tem esperança. Na carta aos filipenses, Paulo disse que “o viver é Cristo, e o morrer é lucro” e que morrer “e estar com Cristo” é “incomparavelmente melhor” (Fp.1.21,23). Por causa da intensa comunhão que Paulo tinha com Cristo e sua firme e viva esperança nas promessas do Senhor, ele não somente estava pronto para se encontrar com o dia de sua morte como também almejava esse dia, pois ansiava encontrar-se com o Senhor Jesus e estar com Ele para sempre.

Portanto, quanto maior e melhor for seu relacionamento com Cristo, mais estável será seu coração, bem firmado nas promessas do Senhor. A coragem não é para valentes guerreiros, apenas, mas para firmes cristãos que vivem pela esperança da glória de Cristo. Nem todo guerreiro valente tem esperança de vida eterna; nem todo guerreiro valente sabe o que há de acontecer após sua morte, razão para poder temê-la. Porém, todo cristão bem alicerçado na Palavra de Deus e bem relacionado com Cristo Jesus tem uma viva esperança bem fundamentada nas promessas do Senhor. Enquanto o guerreiro aprende a não temer a morte e o desconhecido, o cristão não teme a morte por conhecer seu destino.

Então, se você tem medo da morte e não se sente preparado para morrer, precisa colocar seu coração e mente sobre a Palavra de Deus. As promessas do Senhor são fiéis e verdadeiras para todos aqueles que tem verdadeira fé e esperança no Senhor Jesus e vivem um real relacionamento de amor com Cristo. Amadureça seu relacionamento com a Escritura e com Cristo e, também, amadurecerá a forma como lidará com a morte, tanto sua quanto de outros. E sempre que quiser ter paz no coração sobre a morte de alguém, pregue o evangelho para essa pessoa, pois Cristo pode garantir a vida eterna para todo aquele que nEle crer.