Pages

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Há salvação para o suicida?

Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap.12.11)

Vida demasiadamente agitada, corrida pelo ouro, busca incansável pela satisfação e abandono de uma vida em Deus tem trazido, para as gerações, diversas doenças psicossomáticas e psiquiátricas. Algumas dessas doenças terminam por desembocar no trágico suicídio. O crescente aumento no número de suicídios tem despertado o interesse de muitos com respeito a suas implicações eternas. Infelizmente, algumas pessoas que viveram no ambiente cristão também vieram a suicidar-se por diversas circunstâncias, atraindo o grande interesse de muitos cristãos para a pergunta: O suicídio conduz ao inferno?

O assunto não pode ser tratado empiricamente nem por motivos emocionais. Ou seja, experiências não devem servir de base para as conclusões acerca do suicídio. É comum que o assunto seja tratado movido por experiências tais como o suicídio de cristãos conhecidos. Isso ocorre porque os sentimentos criam certa crise naqueles que tinham, em seu coração, a certeza de que tais pessoas eram verdadeiramente cristãs. Então, os envolvidos emocionalmente procuram encontrar alguma brecha para confortar o coração com a certeza de que o suicida tenha recebido o perdão de seu último pecado cometido contra a fé e a esperança (não apenas contra a vida) que deveriam estar completamente depositadas (fé e esperança) em Jesus Cristo.

Também, deve-se ter muito cuidado com deduções lógicas. A lógica só é proveitosa quando os fundamentos são corretos. A seguinte estrutura lógica é comum na defesa de que o suicídio não é um pecado imperdoável:

Premissa A: Cristo morreu pelos pecados daqueles que professam seu nome
Premissa B: Suicídio é um pecado
Conclusão: Logo, o suicídio é um pecado perdoado por Cristo

Se esta estrutura fosse suficiente, então todos os que um dia professaram crer em Cristo estariam perdoados de todos os pecados, incluindo os hereges que, apesar de não concordarem com a sã doutrina, também creem em Cristo como Senhor e Salvador. Todavia, o Novo Testamento afirma que a legítima fé se expressa em obras e perseverança de forma que não basta começar a caminhada cristã nem muito menos apenas professar o nome de Jesus. É necessário andar em Cristo e com Cristo até o ultimo dia, pois “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt.7.20) e “o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um” (Mt.13.23), sabendo que “bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg.1.12), afinal “até os demônios creem e tremem” (Tg.2.19); e, como disse Jesus em Mateus 7.21-27:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.

O suicídio pode não ter sido tão comum nos dias do Novo Testamento quanto em nossos dias, mas, também, ocorria (At.16.27). Quando Jesus disse que iria retirar-se para um lugar em que a multidão não poderia segui-lo, as pessoas conversaram entre si: “terá ele, acaso, a intenção de suicidar-se? Porque diz: Para onde eu vou, vós não podeis ir” (Jo.8.22). É interessante observar, ainda, que há poucos relatos sobre suicídios na Escritura e todos eles estão relacionados a pessoas indesejadas por Deus: Saul, o escudeiro de Saul, Aitofel e Judas (1Sm.31; 2Sm.17; Mt.27.5). O escudeiro de Saul é a única pessoa sem qualquer informação a seu respeito de forma que não sabemos se temia ou não a Deus; apenas sabemos que teve medo de obedecer a Saul. Portanto, não há uma só pessoa temente a Deus que tenha se suicidado, em toda a Escritura, impossibilitando qualquer referência direta à defesa da possibilidade de suicídio entre cristãos. Veremos mais adiante que a morte de Sansão não pode ser considerada um suicídio.

Todas as pessoas se amam e o suicida não está fora desse padrão universal. Por amar a si mesmo, e não encontrando mais esperança em seu coração, o suicida tenta solucionar seu problema com suas próprias forças. Ele não encontra força em Deus para vencer suas lutas, a fim de perseverar dizendo “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl.4.13). A fé e esperança em Cristo parecem não lhe bastarem (1Co.12.7-10) e não suportando mais esperar em Deus, ele antecipa o fim de suas angústias. A perseverança se esvai num ato de desistência, faltando-lhe a “operosidade da vossa fé” e a “firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts.1.3), por meio dos quais o apóstolo Paulo diz que podemos reconhecer a eleição daqueles que se dizem cristãos (1Ts.1.4).

Torna-se necessário nesse momento que todos compreendam melhor o “amor próprio” do ser humano. Pessoas comem ou deixam de comer por se amarem; casam ou deixam de casar por amor próprio; curtem a vida ou se isolam por gostarem demasiadamente de si mesmas e, por isso, fazem o que consideram ser o melhor para elas. As razões podem ser diferentes e os gostos os mais variados, mas a causa é a mesma: “amor ao próprio ser”, como diz Paulo: "Porque ninguém jamais odiou a própria carne" (Ef.5.29). No entanto, não devemos pensar que o amor próprio seja direcionado para o corpo, simplesmente. Esse amor é dedicado à essência humana, ao “ser”. Quando uma pessoa diz: “- Não gosto de algo em mim”, na verdade, ela está querendo dizer: “- Eu queria ser melhor, pois desejo o melhor para mim, e por não ter o melhor, me aborreço com o que tenho”. Mulheres que dizem não gostar do próprio corpo, querem dizer que gostariam de ter um corpo mais bonito, pois se amam e querem o melhor para si. Pessoas infelizes com a vida, estão dizendo que queriam algo melhor para si e por não alcançarem o que desejam, ficam insatisfeitas. O orgulho, fruto do amor próprio, produz insatisfação e angústia, pois a realidade não basta. Esses exemplos podem ser aplicados em diversos outros casos, dentre estes, de pessoas que se suicidaram por insatisfação com a vida. Nesses casos, o amor próprio foi tão forte que não conseguindo conviver com a realidade, preferem não viver do que ter que suportar um estado de vida diferente daquele que almejava para si mesmo.

O amor próprio está presente em todos os pecados: Adão e Eva usurparam a glória de Deus por amor a si mesmo, pois queriam ser iguais a Deus (Gn.3.5-6); diversos outros pecados, relatados pela Escritura, foram cometidos por amor a si mesmo, visando a satisfação da própria vontade a todo custo (prostituição, avareza, gula, bebedice etc.); e, boa parte das atitudes daqueles que se acham feios, inferiores e dizem não gostar de si mesmos, na verdade são movidas pelo amor próprio demasiado, pois não “tendo” o que desejavam ter nem “sendo” aquilo que gostariam de ser, sentem-se infelizes. O orgulho humano mostra-se, então, muito forte, trazendo malefícios físicos e mentais para as pessoas. Esses malefícios estão presentes no indivíduo e em toda a sociedade. As muitas mazelas presentes nas cidades, as muitas guerras ocorridas no mundo e as mais diversas expressões de rebeldia contra Deus são causadas por causa do amor próprio demasiado. O amor a si mesmo, portanto, revela-se raiz dos mais diversos males causados pelo homem tanto ao outro quanto a si mesmo.


Mas, há solução para os problemas causados pelo amor próprio demasiado. Deus nos chama a amá-lo de todo nosso coração, de toda nossa alma e de toda nossa força (Dt.6.5). Esse mandamento não somente volta nossos olhos para Deus, o único ser imutável e perfeito, mas, ainda, retiro nosso olhar de nós mesmos. A conversão promovida pelo Espírito do Senhor (Ez.36.26-27) direciona nosso amor para Deus, a fim de dedicarmos toda nossa vida para o único alvo seguro e estável para todo nosso amor. Somente Deus não muda nem erra nem tem defeito algum, de forma que o homem jamais é frustrado em Deus nem desanimado nEle, pois suas promessas são fiéis e verdadeiras. Em Deus, até mesmo os piores problemas encontram um proposito benéfico, pois “todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus” (Rm.8.28). Quando o coração compreende firmemente que todas as coisas foram criadas para a glória do Senhor e que os cristãos hão de ser recompensados por todo amor dedicado ao Criador, brota-lhe a verdadeira paz, pois ancorou em um porto realmente seguro.

Deve ficar claro, portanto, que o suicídio não é apenas uma vertente do sexto mandamento: “Não matarás!” (Ex.20.13), ainda que seja, também, um atentado contra a vida. O problema do suicídio deve ser tratado dentro do contexto da fé e esperança necessárias para a salvação em Cristo (soteriologia). Mesmo que uma vida tenha sido tirada, o grande problema não está na morte, mas na falta de persistência em confiar que a graça de Deus basta, a fim de perseverar como disse o salmista: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl.42.11). Em Hebreus 11, a honra dos heróis da fé encontra-se em perseverarem até o fim, pois esperavam em Deus, confiando no poder do Senhor de modo que “escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros” (Hb.11.34). Fé e esperança não se encontram no suicídio, pois é exatamente a falta deles que leva o homem a cometer tal erro. Por efeito de analogia, apenas, poderíamos compará-lo a alguém que, tendo sido pressionado a negar Jesus, não suporta a pressão e nega a Cristo diante dos homens. Porém, Jesus disse que “aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mt.10.33). O suicida não suporta a angústia e, então, tira de si mesmo não somente a vida, mas, ainda, a chance de pedir perdão e rogar a misericórdia de Deus, tendo em vista que o próprio suicida pôs fim a isto.

A vida é o tempo determinado por Deus para que as pessoas demonstrem fé e esperança, perseverando até o fim. Jesus então disse: “aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mt.10.22). O suicídio é o resultado da incapacidade de aguentar a pressão do mundo maligno e atribulado (Mt.13.20-21). Parece semelhante a diversos erros cometidos na vida, todavia o suicídio põe fim à possibilidade da pessoa se arrepender e buscar auxílio em Deus. Não há mais oportunidade para confessar o erro e buscar socorro no Senhor por não ter esperado em Deus e crido que Ele é poderoso para sustentar o desvalido e exausto. O suicídio visa solucionar problemas da alma quando a fé e a esperança parecem, para o suicida, ineficazes.

Há uns poucos personagens que se suicidaram na Bíblia (como já mencionamos), a saber: Saul, o escudeiro, Aitofel e Judas (1Sm.31; 2Sm.17; Mt.27.1-10). Esses personagens não podem ser considerados homens de Deus, pois o caminho que escolheram era mal perante o Senhor. O suicídio deles deve ser tratado separadamente, pois tiveram motivos diferentes, mas todos foram considerados por Deus como homens ímpios. Saul já havia sido desprezado por Deus por todos os seus pecados de rebeldia, mas seu suicídio está relacionado ao código de honra da guerra. Saul não queria morrer nas mãos dos inimigos e, não confiando que Deus poderia livrá-lo da morte, ele se suicidou. Portanto, seu código de honra também está relacionado a falta de fé e esperança no Senhor, razão para desistir de tudo e tirar a própria vida.

Aitofel fazia parte de grupo de conselheiros de Davi. Todavia, após a revolta de Absalão, tendo Davi fugido de Jerusalém, Aitofel se aliou ao filho rebelde de Davi para conspirar contra seu antigo rei (2Sm.15.12,31). Ao saber da traição de Aitofel, Davi ora a Deus dizendo: “Ó SENHOR, peço-te que transtornes em loucura o conselho de Aitofel” (2Sm.15.31). Aitofel foi perverso diante de Deus, traindo aquele que o Senhor havia escolhido para ser rei em Israel. Ele aliou-se com o perverso e concordou com toda a maldade praticada por Absalão. Aitofel estimulou o filho do rei a coabitar com as concubinas de Davi, humilhando-as “à vista de todo o Israel” (2Sm.16.22). Suas obras, portanto, foram todas más e seu propósito final era destruir aquele que Deus havia escolhido para conduzir o povo de Deus nos caminhos do Senhor. Quando se viu substituído por Husai, fiel servo de Davi, Aitofel foi suicidar-se.

Como sabemos que Judas foi para o inferno? Seria por causa de sua traição? Mas, Pedro também negou a Cristo e todos os discípulos abandonaram a Jesus por ocasião de sua prisão. Seria, então, a traição um pecado imperdoável? Ou seria possível que Judas confessasse seu pecado e obtivesse perdão do Senhor? O problema é que, diferente de todos os demais discípulos, Judas tirou de si mesmo a oportunidade de se arrepender e confessar seu pecado. Ele não creu que o Senhor poderia perdoá-lo de seu terrível pecado nem teve esperança que em Cristo ele poderia receber a vida eterna. Seu suicídio pôs fim a qualquer chance dele buscar no Senhor o perdão de seus pecados. Desta forma, Judas consumou sua inimizade contra Deus, confirmando a dureza de seu coração por meio de seu suicídio.

Outro personagem citado dentro deste assunto é Sansão. Todavia, precisamos deixar claro que Sansão não cometeu suicídio, pois seu pedido a Deus para que lhe fosse dada força outra vez tinha em vista a morte de seus inimigos, não sua própria morte. Devemos entender isso no contexto da guerra. Mesmo sabendo que a morte numa guerra seja muitas vezes inevitável, os soldados não podem desistir por questão de honra e perseverança, sabendo que podem vencer a guerra por meio de intervenção divina. Morrer numa guerra, tentando matar o inimigo não é suicídio, mas brava tentativa de derrotar o adversário. O soldado demonstra, corajosamente, que está disposto a não poupar nem mesmo a própria vida para vencer os adversários por amor a seu povo. Sansão queria derrotar os inimigos do povo de Deus e foi bem-sucedido, mesmo que tenha morrido por isso.

Devemos lembrar que se considerarmos a morte de Sansão como um suicídio, também deveríamos considerar a morte de Jesus como um suicídio, pois, mesmo tendo sido preso e morto por mãos de terceiros, a Escritura diz que “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef.5.25); “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós” (Ef.5.2); o “Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl.2.20); Jesus Cristo, o qual se entregou a si mesmo” (Gl.1.3-4). Jesus foi para a cruz voluntariamente sabendo que iria morrer, e de tal forma sua morte foi voluntária que a Escritura diz que Ele entregou-se a si mesmo. Sua morte foi a forma de vencer o pecado, não um suicídio voluntário, semelhante ao que aconteceu com Sansão, pois ambos venceram o inimigo entregando a própria vida (Jz.16.28). Jesus não se encravou na cruz, mas se entregou com este propósito assim como Sansão derrubou as colunas para matar os inimigos, não para matar a si mesmo. Sansão matou mais inimigos com sua morte do que em sua vida semelhante ao que Cristo fez (talvez um tipo da vitória de Cristo na cruz – Jz.16.30).

A ideia de que todo pecado é igual diante de Deus não encontra base na Escritura (1Jo.5.16-17) nem muito menos a ideia de que tornar-se cristão é suficiente para que quaisquer pecados futuros sejam considerados perdoados (Mt.7.21-23). Além disso, o assunto traz à tona a doutrina da “perseverança dos santos”. Crer que o suicida pode ser salvo é semelhante a negar a doutrina da “perseverança dos santos”. Perseverar em Cristo significa crer e confiar em seu poder redentor e manter-se (até que Deus tire nossa vida) firme na esperança de que, em Jesus, os sofrimentos da vida não serão suficientes para fazer o cristão desistir de viver em Cristo (Rm.8.18). Por isso, mesmo angustiados profundamente, os salmistas esperavam em Deus e buscavam no Senhor a força necessária para perseverar até o fim (Sl.25.17; 31.7; 71.20; 107.26-28; 116.3). Suicidar-se não é desistir apenas da vida, mas, primeiramente, da fé e esperança em Jesus Cristo como sustento firme e eficaz para toda a vida, mesmo diante de um mundo que “jaz no maligno” (1Jo.5.19).

Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.  8 Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados;  9 perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos;  10 levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo.  11 Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.  12 De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida.  13 Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também falamos,  14 sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco.  15 Porque todas as coisas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus.  16 Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia.  17 Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação,  18 não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas. (2Co.4.7-18)

No texto acima (2Co.4.7-18), Paulo apresenta uma plena segurança, afirmando que não sucumbirá nem desistirá diante das adversidades, por piores que sejam. Mas, de onde vem sua segurança? Será que Paulo achava-se forte demais, capaz de vencer todas as angústias da vida? Não! Sua segurança apoia-se no fato de que Deus o sustentava por meio do Espírito Santo, conforme ele nos diz um pouco adiante: “Ora, foi o próprio Deus quem nos preparou para isto, outorgando-nos o penhor do Espírito.” (2Co.5.5). Devemos observar, nessa última citação, o termo “penhor”, presente também em Efésios 1.14. Paulo nos diz que a presença do Espírito Santo garante que o verdadeiro cristão persevere até o fim (Mc.13.13), esperando que o Senhor o chame à eterna glória. Ou seja, o cristão pode ser atribulado em tudo, mas não desanimado, pois o Espírito de Deus o sustenta, a fim de que persevere até o fim. Diante de tudo isso, o que você conclui: há salvação para o suicida?

Nenhum comentário:

Postar um comentário