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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Pare enquanto há tempo!


Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.” (Sl.37.5)

Até mesmo o homem mais forte do mundo, Sansão, experimentou a fraqueza, e nela Deus manifestou seu poder, dando-lhe vitória sobre os inimigos do povo de Deus (Jz.13-16). Paulo, um homem que recebera grandes revelações sobre os mistérios de Deus, também experimentou momentos de fraqueza e neles viu a manifestação da força de Deus que o sustentava. Então, disse: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2Co.12.9).

A fraqueza faz parte da natureza humana feita do pó da terra (Gn.2.7). Com a entrada do pecado no mundo, a fragilidade do ser humano foi acentuada (Gn.3.19), pois tudo em nós foi afetado pelo pecado e se inclina naturalmente para as tentações que lhe aparece. Aquilo que antes era um paraíso, voltou-se contra o homem tornando-se um fardo para seu dia a dia (Gn.3.17-18). A queda de Adão e Eva, então, trouxe a fraqueza para a humanidade como uma doença contagiosa.

Portanto, desde sua rebeldia contra Deus, o homem adquiriu limites estreitos, como o tempo de vida. O ser humano possui limites físicos, mentais e emocionais que precisam ser considerados no dia a dia. À semelhança de um carro que possui limites (RPM) a serem respeitados para que o motor não venha a fundir, o homem precisa respeitar seus limites para que o corpo, a mente ou o coração não venham a adoecer. E, por não respeitar os limites, encontramos desde o século passado um alto índice de pessoas adoecidas.

O número de pessoas com doenças psicossomáticas tem crescido nos últimos cem anos. Parece que a sociedade não está respeitando os limites naturais da estrutura humana. O avanço tecnológico não está proporcionando igual qualidade de vida. As facilidades não estão melhorando o bem-estar do homem, aumentando apenas o número de farmácias abertas nas grandes cidades. O homem tem adoecido mais e até o comércio está apostando nisso.

A vida nas grandes cidades é demasiadamente pesada para o corpo, a mente e o coração. O homem tornou-se uma máquina de trabalho, sobrecarregado com muitas preocupações e ambições, cercado por fortes variações de sentimentos. Em fração de minutos, somos bombardeados por notícias de atmosferas diametralmente opostas: amor e ódio, medo e violência, tristeza e alegria, romance e terror.

A mídia tem colaborado muito para o adoecimento da população. O marketing estimula as pessoas a viverem freneticamente atrás de coisas que não precisam ter, motivando-as a gastar um dinheiro que nem sempre tem. Moda, novidade, modelo corporal, prazeres diversos, tecnologia etc. tentam encher forçadamente o coração vazio das pessoas, levando-as a altos níveis de ansiedade, dizendo-lhes que precisam acompanhar o ritmo sociocultural e produtivo do mundo.

O modernismo impôs um pesado jugo sobre o homem tornando-o o único responsável pelo destino do mundo, dando início ao processo de adoecimento da sociedade. O homem que antes confiava sua vida a Deus (Sl.127), tomou as rédeas de sua vida colocando sobre seus ombros mais peso do que é capaz de suportar (existencialismo filosófico).

O pós-modernismo, com o advento da revolução industrial, acrescentou ainda mais peso sobre a vida social. A ambição de alguns contaminou largamente a sociedade, dando início a uma longa e popular corrida do ouro em que o homem é obrigado a produzir muito para alimentar incessantemente sua (ou de outros) ambição de ter cada vez mais. A vida pacata do campo foi trocada pela vida agitada da cidade que não para, não descansa, funcionando 7 dias por semana sem dar trégua para o corpo, a mente e o coração.

A ausência do dia de descanso ordenado por Deus para nosso bem (Ex.20.8-11; Mc.2.27), demonstra o senso de autonomia do homem contemporâneo, que se autodenomina suficiente, poderoso e independente. A paz foi trocada por dinheiro, pois em vez de investir em tempo para descansar em Deus o homem balbucia orgulhosamente, dizendo: tempo é dinheiro.

Esse é o contexto social em que vivemos. Um mundo adoecido por suas más escolhas, tendo desprezado os cuidados divinos dispensados graciosamente ao homem desde sua criação. Estamos sentindo o peso de nossas fraquezas, encontramos os limites de nossas forças. O que fazer agora? Deveríamos forçar ainda mais nossos limites para tentar solucionar, sozinhos, nossos problemas? Não!

Deus sempre esteve à disposição do homem para o socorrer, sustentar e conduzir. O profeta Isaías disse que Deus “trabalha para aquele que nEle espera” (Is.64.4). O Salmista proclamou confiadamente que o Senhor edifica, protege e sustenta seu povo dando-lhe pão enquanto dorme (Sl.127.1-2). E vendo as multidões cansadas, Jesus as convidou, dizendo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt.11.28).

A força do homem não se encontra em seu vigor, mas no poder de Deus que opera naquele que nEle confia. Todo homem tem limites físicos, mentais e emocionais que devem nos levar à presença do Senhor, pois, ao nos sentirmos fracos, buscamos em Deus a força que precisamos para viver. A glória dos grandes homens do passado estava na confiança que depositavam em Deus, agindo sempre no poder do Senhor. Assim da fraqueza tiravam força, pois Deus operava neles para seu louvor e glória.

Pare, antes que seja tarde demais! Reconheça seus limites entregando sua vida ao Senhor Jesus para que Ele o conduza com graça, manifestando poder e glória. Você não precisa seguir com a multidão perdida, confusa e vazia. Sua identidade e felicidade encontram-se em Deus, o Criador de tudo. Ele dá sentido à sua vida; Ele é poderoso para sustentar sua vida; Ele pode livrar você dos muitos males da vida; dEle vem a felicidade que o homem tanto precisa; Ele é a razão e o propósito de nossa existência. De que mais você precisa para viver?

Portanto, em vez de conduzir sua vida, entregue-a para Aquele que pode carrega-la por você. Deus não fez o homem para que fosse autônomo, mas para que dependesse dEle continuamente. O Senhor não se cansa de nos ajudar, orientar, socorrer, guiar, proteger, sustentar e fortalecer. Assim como um pai tem prazer em fazer parte da vida de seus filhos, ajudando-os em tudo, também Deus ama aqueles por quem Cristo morreu e tem satisfação em cuidar deles cotidianamente. Então, largue as rédeas de sua vida e entregue-as a nosso Deus e Pai.

Para que da fraqueza você tire força será necessário reconhecer suas limitações do corpo, da mente e do coração. Quando reconhecemos nossas limitações nos sujeitamos a ser ajudados e guiados pelo poder de Deus. Então, não deixe que o orgulho ferido impeça você de ser conduzido pela graça de Deus. Não importa o que a sociedade dirá sobre você, mas o que Deus estará operando em sua vida. E para ter vida abundante por meio de Cristo, será necessário andar contra o fluxo das multidões tão cheias de si mesmas.

Cristo é a resposta para as fraquezas do homem. Não importa quão fraco você se sinta, pois quanto maior for sua fraqueza maior será a manifestação do poder de Cristo em sua vida. Mas, para isso, você precisará confiar a Cristo todo seu viver. Então, descanse o corpo, a mente e o coração nos braços de Jesus, deixando que Ele conduza seus passos, pois somente assim você desfrutará da “paz de Deus, que excede todo entendimento” e que “guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp.4.7).

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