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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Despreparados para a guerra

O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.” (Os.4.6)

Pensavam que nunca chegaria o momento. Tudo parecia tão calmo e sereno que até os mais valentes se deixaram levar pela brisa suave desses dias tranquilos. Homens e mulheres, adultos e jovens; soldados de um numeroso exército descansava em seu arraial fronteiro ao império das trevas. Porém, ao raiar do sol, nas primeiras horas de um dia qualquer de primavera, algo inesperado acontece: o inimigo subestimado inicia seu ataque surpresa contra o grande, mas inapto, exército. Despreparados, sem fardamento nem armamento, os soldados correm de um lado para o outro confusos e vulneráveis, pois poucos estavam vigilantes para aquele dia.

Um pelotão inimigo chamado tentação inicia a empreitada, avançando contra os soldados mais jovens. Milhares de flechas são atiradas para o céu em direção à juventude, a fim de eliminar a força juvenil que se encontrava perdida em meio ao campo de batalha. Não seria difícil resistir ao ataque do pelotão tentação, mas poucos soldados jovens estavam munidos de seu escudo da fé. Sem defesa, centenas de jovens vão ao chão atingidos pelas flechas sujas e afiadas, pontiagudas e precisas. O chão é manchado pelo sangue que escorre do coração dos jovens atingidos pelas flechas da tentação. Não poucos caem mortos e muitos feridos precisam ser recolhidos com urgência para não perecerem com os demais.

Apesar do massacre inicial, alguns jovens se mantêm firmes no campo de batalha, resistindo às setas malignas por meio do escudo da fé enquanto avançam com determinação tendo nas mãos a espada do Espírito desembainhada. Todavia, o ataque inimigo não se encerrou. Outras tropas inimigas aparecem por detrás lançando, com suas catapultas, grandes pedras de intrigas, rixas, inimizades, porfias e maledicências, a fim de dividir famílias e igrejas, homens e mulheres, enfraquecendo, assim, o exército do Senhor. Por causa do despreparo, muito são atingidos e outros abandonados, irmãos se voltam contra irmãos, e maior é o número de mortos pela espada de seu semelhante do que os feridos pelas armas inimigas. A guerra parece estar perdida para o povo de Deus.

Ainda no campo de batalha outra multidão confusa não sabe o que fazer nem tem forças para lutar. Sem saber manusear a espada do Espírito que é a Palavra de Deus, os pobres recrutas e veteranos não são capazes de vencer batalhas pessoais contra os inimigos; e, enfraquecidos pela falta de uma vida de oração se deixam levar por todos os enganos e mentiras dos adversários que andam em derredor “como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe.5.8). Inevitavelmente, fracos e despreparados sucumbem diante dos inimigos, mostrando que o elevado número de soldados não equivalia à real quantidade de valentes prontos para vencer batalhas pelo Senhor.

Um número significativo de soldados cai e, semelhante à narrativa sobre Gideão (Jz.7), restam apenas uns poucos heróis da fé. Todavia, o pequeno número não deve ser subestimado, pois esses valentes possuem a armadura de Deus (Ef.6.10-18), porque guardaram firme na mente e no coração a Palavra do Senhor, bem firmados nas promessas divinas. Então, cheios do Espírito do Senhor, com a espada do Espírito em uma mão e o escudo da fé na outra, jovens e adultos, homens e mulheres avançam, certos de que as “portas do inferno não prevalecerão” (Mt.6.18). Eles não temem gigantes ateus nem monstros mentirosos, não se dobram diante de dominadores nem demônios imundos. Dispostos a dar a vida pelo Rei dos reis e Senhor dos senhores, eles avançam cautelosamente para não caírem nas lamas imorais deixadas como armadilhas pelos adversários.

Contudo, tais soldados não são invulneráveis nem perfeitos e no final de cada dia precisam voltar ao arraial, a fim de serem limpos de toda sujeira que se lhes apegou ao corpo, curados de todos os ferimentos feitos pelos inimigos, fortalecidos com o bom alimento provindo da Palavra divina e revigorados descansando nos braços do Deus eterno “que trabalha para aquele que nele espera” (Is.64.4). No arraial, os valentes do Senhor encontrarão mestres enviados por Cristo para assistirem aos santos valentes de Deus, preparando-os para que tenham um bom desempenho na batalha.

Nossa narrativa pode parecer uma simples ficção, mas diz respeito ao dia a dia da igreja espalhada pelo mundo. Nossos jovens têm caído no campo de batalha, famílias são destruídas pelos adversários, igrejas são divididas por aqueles que se infiltram sorrateiramente no meio do povo de Deus, fingindo ser cristãos. Mesmo assim, muitos ignoram os acontecimentos e seguem como se nada estivesse acontecendo. Líderes continuam preocupados com o enchimento de denominações como meros clube de pecadores, contentando-se, assim, com as aparências e o fato de poderem dominar sobre o ignorante e fraco povo.

A igreja, então, precisa de constante oração. Ela necessita de pastores que pastoreiem a igreja conforme o coração de Deus, conscientizando-a que "a vida não é um piquenique, mas uma guerra" (Dr. Ligon Duncan) em que o Reino de Deus avança contra o império das trevas para libertar as ovelhas de Jesus. Jovens precisam ser preparados para lutar o bom combate do Senhor; adultos necessitam ser conscientizados sobre a importância de cuidarem dos mais jovens por meio do bom ensino e testemunho; homens precisam ser preparados para liderarem a família e a igreja por meio da Palavra do Senhor; e, mulheres devem ser amadurecidas para auxiliarem na luta contra todo mal sendo fiéis e amáveis companheiras nos dias bons e maus.

Você está pronto para a batalha? Então, ore pela igreja e ajude os demais irmãos a se prepararem também.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Ame o trabalhar de Deus em sua vida


Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm.8.28)



Você ama o trabalhar de Deus em sua vida? Não estou me referindo aos momentos em que Deus ouve suas orações e o livra de angustias, problemas, doenças e crises financeiras. Ser ajudado por Deus é bom, mas não é o melhor que o Senhor tem para seus servos. A maior bênção divina concedida aos justificados é o processo de santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb.12.14).



O maior interesse do Senhor com respeito a nossa vida é tornar-nos semelhantes a seu Filho Jesus. Por isso, Paulo diz “que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm.8.28). Ou seja, coisas boas e ruins acontecem na vida dos filhos de Deus para contribuírem com a santificação deles.



Você já pensou, então, que Deus coloca pessoas em sua vida para ajudá-lo a crescer em maturidade cristã? O casamento, por exemplo, cumpre muito mais do que o papel de alegrar nosso coração, pois a pessoa com a qual convivemos exige de nós paciência, amor, capacidade de perdoar, cumprimento dos respectivos papéis etc. No dia a dia da vida conjugal nosso cônjuge, mesmo sem saber, está contribuindo para nosso crescimento espiritual, instigando-nos a viver uma vida para a glória do Senhor diante das contrariedades.



Mas, não pense que somente o cônjuge tem papel importante no processo de santificação. Muitas outras pessoas e circunstâncias serão instrumentos para seu aperfeiçoamento cristão: amigos, inimigos, irmãos da igreja, pastores, momentos difíceis, provações, privações etc. Mas, como tudo isso contribui para nossa santificação? Como coisas indesejadas e momentos simples da vida podem contribuir para nosso crescimento espiritual?



Deus usa pessoas e situações para nos santificar de várias formas. Uma delas é por meio do ensino. Quando o pastor prega fielmente a Escritura, Deus está usando-o para santificar você. Quando pais ensinam a Palavra de Deus para os filhos, eles são instrumentos para santificar os filhos. E qualquer pessoa que nos ensine a Bíblia com fidelidade será instrumento para nossa santificação. Por isso, é importante “enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais” (Ef.5.18-19).



Além do Senhor usar pessoas para nos santificar pelo ensino, Deus utiliza-se da vida delas para trabalhar nosso caráter indiretamente. Isso acontece porque todas as pessoas possuem defeitos e diferenças. E quando nos deparamos com esses defeitos e diferenças, somos exigidos a colocar em prática o amor, a paciência, a correção, o perdão, a humildade, a mansidão, a obediência, a firmeza, a submissão, o domínio próprio etc. Ou seja, por meio de nossos relacionamentos somos instigados a pôr em prática o que aprendemos da Palavra de Deus, a fim de desenvolvermos a salvação com temor e tremor (Fp.2.12), crescendo “em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef.4.15).



Mas, para que você tire o melhor proveito possível do trabalhar do Senhor em sua vida é necessário estar atento ao propósito santificador de Deus para seus filhos e estar disposto a ser trabalhado por nosso Senhor e Salvador. Você precisa fazer do propósito santificador de Deus seu propósito também, e desejar que a santidade do Senhor seja vista em seu viver. Você precisa amar mais a Deus do que tudo que Ele pode nos dar nessa vida.



Afora as pessoas, o Senhor ainda nos proporciona momentos diversos de angústia, provação e privação por meio dos quais somos testados e desafiados a agir de forma piedosa, santa e agradável ao Senhor, colocando em prática o que temos aprendido em Sua Santa Palavra. Nas privações, devemos confiar no Deus da provisão e mostrar contentamento com tudo; nas provações, precisamos agir com fidelidade à Escritura não cedendo às pressões e às tentações do mundo; e nos variados momentos difíceis, nosso amor a Deus é testado e nossa alegria na salvação em Cristo Jesus pode ser exercitada.



Portanto, em vez de olhar para as adversidades como problemas somente, olhe para os desafios como momentos proporcionados por Deus para que você amadureça na fé (Rm.5.3-5). Em vez de olhar para as diferenças entre os irmãos como algo negativo, veja na variedade de pensamentos, dons e modo de ser um instrumento divino para trabalhar seu caráter exigindo de você o exercício do fruto do Espírito no convívio com os irmãos (Gl.2.22-23), pois as virtudes são confirmadas quando passamos “pelo vale da sombra da morte” (Sl.23.4).



Lembre-se de que nossa vida nesse mundo, o qual jaz no maligno (1Jo.5.19), é passageira e que aguardamos a volta de Cristo (2Pe.3.13), a fim de que desfrutemos “novo céu e nova terra” (Ap.21.1) onde “a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap.21.4). Dessa forma, a esperança da vida eterna e o desejo pela manifestação da glória de Jesus lhe ajudarão a ajustar seu foco, a fim de que deseje mais a santificação de sua vida, mesmo por meio de contrariedades, do que os benefícios passageiros dessa vida. Então, ame o trabalhar de Deus em você e aproveite bastante cada oportunidade para amadurecer sua fé (Hb.12).


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Sou realmente um cristão?


Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom ou a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore” (Mt.12.33)


Sou realmente um cristão? Não é incomum que pessoas se acomodem ao status de cristãs por fazerem parte de alguma igreja local. A participação em programações evangélicas e o envolvimento com pessoas cristãs trazem a sensação de conforto e podem iludir diversos membros de denominações. Será que todo membro de uma igreja local é realmente um cristão? Jesus nos garante que a resposta é NÃO (Mt.13.24-30). Seria possível alguém engar a si mesmo achando-se um cristão? Conforme Jesus, a resposta é SIM (Mt.7.21-23). Em vista disso, é importante que o cristão faça uma avaliação pessoal para conferir se a vida confere com uma legítima conversão. Você já tentou encontrar sinais de uma verdadeira conversão em sua vida? Se você não tem qualquer preocupação com as marcas da legítima fé cristã ou acha que ser membro de uma denominação já é suficiente, então pode ser que você realmente não seja um cristão genuíno. Portanto, queremos instigá-lo a perguntar: Sou realmente um cristão?

Diversas vezes Jesus deixou claro que participar do povo visível de Deus não é suficiente para garantir que uma pessoa realmente pertença a Deus e será salva da ira vindoura (Mt.13.24-30):

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. (Mt.7.21)
Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo (Mc.13.13)
Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas (Lc.6.44)

O verdadeiro cristão possui marcas visíveis (e invisíveis: o testemunho do Espírito – Rm.8.16; Ef.1.14; 1Jo.3.24) que confirmam a conversão operada pelo Espírito (Jo.3.5) e Palavra de Deus (Jo.8.32), a fim de glorificar a Deus na presença do mundo. Conforme Paulo, o genuíno cristão possui fé operosa, amor abnegado e esperança firme (1Ts.1.3); e, segundo João, os três testemunhos que confirmam a legitimidade de um cristão são: amor, fé e obediência (1Jo.5.1-5). Portanto, todo cristão deve procurar em si o amor, a fé e a esperança obediente (Cl.3.1-3), pois essas marcas testemunham não somente a legítima conversão como também a beleza da santidade daquele que nos propôs uma vida em acordo com a glória de seu Filho.

Creio que está evidente, então, que o cristianismo bíblico não é uma religião de palavras e ritos, apenas; nem muito menos de tradições. Não basta dizer que é cristão nem participar de cultos solenes em alguma denominação. Não é suficiente ser membro de uma igreja local ou ter cargos dentro dela (mesmo que seja pastor). O cristianismo propaga a restauração da criação por meio da justiça de Cristo e do poder restaurador do Espírito Santo que juntos possibilitam uma vida em acordo com a santa, boa e justa Palavra de Deus (Rm.8.19-21). Ser cristão, portanto, é viver a nova vida que cristo inaugurou (Gl.2.20) quando morreu e ressuscitou trazendo “toda sorte de bênção nas regiões celestiais” (Ef.1.3).

Para lhe ajudar a julgar a si mesmo (1Co.11.31), oferecemos algumas perguntas que poderão ser pronunciadas diante de um espelho bem límpido:

1)      Você odeia o pecado? Pecado é a transgressão da lei do Senhor; é fazer o que desagrada a Deus; é rebeldia contra o Criador de todas as coisas. O cristão deve amar a Deus de todo seu coração (Dt.6.5) e, consequentemente, deve odiar aquilo que não o agrada (1Jo.3.4). Agora, faça um teste para verificar se você realmente odeia o pecado e ama a Deus de todo seu coração: Jogue fora tudo que desagrada a Deus! Deixe de assistir filmes com cenas e ideias que desagradam a Deus! Lute contra desejos, palavras e ações pecaminosos de seu coração – maledicência, orgulho, inveja, maldade, imoralidade etc. Esse despojamento “de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências” (1Pe.2.1) ocorrerá durante a caminhada cristã e contará com o ensino do Senhor Jesus, capacitação do Espírito Santo e auxílio dos irmãos que deverão motivá-lo a não desistir da luta contra o pecado.

2)      Você ama o que pertence a Deus? Ou seja, você ama a Palavra de Deus, a igreja de Jesus, o culto ao Senhor, os momentos de oração ao Pai, os irmãos que Deus nos dá? Como um cristão poderia amar a Deus e não amar aquilo que pertence a Deus e vem de Deus. O apóstolo João nos diz que “se alguém disser: amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1Jo.4.20). Aquele que ama a Escritura lerá a Bíblia com frequência; aquele que ama a igreja orará e lutará pela igreja; aquele que ama o culto ao Senhor participará com alegria sempre; aquele que ama falar com o Pai estará sempre em oração; aquele que ama os irmãos será bênção para todos eles, desde o pastor até o congregado mais novo. É necessário, então, pedir a Deus que o ajude a cultivar o amor que vem de Cristo (Jo.13.24-25), amor este que está fundamentado na Verdade (2Jo.1.1), não permitindo que a maldade do mundo esfrie o coração do cristão.

3)      Você anda humildemente com Deus? (Mq.6.8) Cristianismo não é um momento, mas uma vida. E, tendo em vista que ainda somos pecadores, a vida cristã deve passar por constante aperfeiçoamento até que sejamos todos semelhantes a Cristo, o varão perfeito (Ef.4.13). Andar humildemente com Deus é se deixar ser trabalhado pela Palavra do Senhor; é ouvir a exposição da Escritura com o coração quebrantado; é receber a disciplina com vergonha, mas também gratidão; é buscar crescer espiritualmente todos os dias e se deixar ser ensinado por aqueles que Deus chamou para educar a igreja por meio do fiel ensino da Escritura. Aquele que endurece seu coração e rejeita o ensino e a correção do Senhor não tem um novo coração (Ez.36.26-27), pois aquele que nasceu de novo caminha em processo de santificação diariamente até ser formado o caráter de Cristo em sua vida (2Co.3.18).

Essas três perguntas são bastante abrangentes e o ajudarão a procurar a fé, o amor e a esperança obediente em sua própria vida. Além dessas perguntas, outras questões à luz da Bíblia poderão ser levantadas, a fim de ajudá-lo a encontrar o fruto do Espírito em seu dia a dia (Gl.5.22-23). Portanto, coloque sua própria vida sob investigação. Julgue a si mesmo! Julgamos com tanta facilidade a vida dos outros e temos tanta dificuldade de julgar a própria vida. Mas, apesar das dificuldades, não desista de analisar seus pensamentos, palavras e atitudes (e omissões), pois uma profunda e sincera análise de si mesmo fará com que você descubra se é realmente um cristão.

Mas, o que fazer se você descobrir que não é um cristão? Arrependa-se profundamente de seus pecados e falso cristianismo. Peça perdão a Deus por não ter vivido uma vida cristã autêntica, enganando tanto a igreja quanto a si mesmo. Então, confesse a Cristo como Senhor e Salvador de sua vida de todo seu coração. Pense nas implicações práticas disso e se entregue a Deus para uma vida nova real e prática em que o Senhor seja glorificado por meio de seu viver. Reconheça suas fraquezas e peça ajuda para vencer as lutas contra a carne (Gl.5.16; Hb.12.4). Então, comece a jornada cristã com um coração humilde e consciente daquilo que Deus requer de você (Mq.6.8). E mesmo que você encontre diversos defeitos em si mesmo ao longo da caminhada, estará realmente pronto para confessar os pecados, receber ajuda, ser trabalhado e mudar de atitude, pois seu amor a Cristo será muito maior do que qualquer outro sentimento e Aquele que estará operando em você será muito mais forte do que os desejos de sua carne e o auxiliará a vencê-los (1Jo.4.4). Isso é ser cristão!

sábado, 20 de janeiro de 2018

A influência da retórica veterotestamentária sobre a carta de Paulo aos gálatas


RESUMO

Desde que Betz analisou a carta de Paulo aos gálatas a partir das categorias da retórica aristotélica clássica, considerando a epístola uma “carta de gênero apologético”, diversos outros estudos seguiram o mesmo rumo e submeteram as cartas paulinas aos mesmos crivos. O sitz im leben judaico do apóstolo foi substituído por diversas teorias sobre a influência do mundo greco-romano, procurando encontrar nas literaturas e religiões pagãs do primeiro século as fontes que influenciaram não somente a teologia, mas também a retórica das cartas de Paulo.


Contudo, toda a biografia disponível sobre o apóstolo Paulo, tanto em Atos dos Apóstolos quanto nas cartas paulinas, descreve-o como legítimo judeu de origem tradicional, ex-membro da seita judaica mais rigorosa (seita dos fariseus), de origem, estudo e conhecimento judaico. Em Gálatas, Paulo escreve sobre uma controvérsia judaico-cristã, a fim de resgatar os destinatários da apostasia enquanto acusava os judaizantes de enganar os cristãos ao obrigarem-nos a guardar a Lei mosaica. Dessa forma, o ambiente da carta gira em torno do judaísmo, principalmente do Antigo Testamento, para o qual Paulo recorrerá tanto com respeito à teologia quanto fazendo uso de sua retórica.


Tendo em vista que o problema gira em torno do entendimento do Antigo Testamento, o apóstolo demonstra sua habilidade no manuseio da literatura Sagrada e do conhecimento adquirido na escola de Gamaliel. Essa habilidade é demonstrada também no uso de estilos retóricos judaicos comuns ao Antigo Testamento, fonte primária utilizada pelo apóstolo para combater seus adversários e ensinar aos cristãos a relação de continuidade entre a antiga e nova aliança. Tendo a carta aos gálatas numa mão e o Antigo Testamento na outra, sugere-se que Paulo foi influenciado pelo estilo retórico do Antigo Testamento, tão presente na mente do apóstolo que as estruturas surgem naturalmente, moldando a construção de suas ideias em todas as três divisões da carta (Gl.1-2; Gl.3-4 e Gl.5-6).

  

Palavras-chave: Retórica. Antigo Testamento. Gálatas. Paulo.

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The influence of Old Testament rhetoric on Paul's letter to the Galatians



ABSTRACT

Since Betz analysed Paul’s letter to the Galatians from the classical Aristotelian rhetoric, considering the epistle an “apologetic letter”, several other studies have followed the same way and have submitted the letters of Paul under the same understanding. The apostle’s Jewish “sitz im leben” has been replaced by several theories about the influence of the Greek-Roman world, trying to find in the pagan literature and religions of the first century the sources which had influenced not only the theology, but also the rhetoric of Paul’s letters.

However, all the available biography about the apostle Paul, either in the Acts of the Apostles or in Paul’s letters, describes him as an authentic Jew with an orthodox origin, former member of the most rigorous Jewish sect (the Pharisees sect), with Jewish origin, study and knowledge. In the letter to the Galatians, Paul writes about a Jewish-Christian controversy willing to rescue the addressees of apostasy, while accusing the Judaizers of misleading thechristians making them keep Moses' law. In this way, the subject of the letter is the Judaism, mainly based in the Old Testament, which Paul will use regarding both theology and rhetoric.

Once the problem was concerned with the correct understanding of the Old Testament, the apostle shows his ability to handle with the sacred literature and the knowledge acquired in the school of Gamaliel. Such ability is also presented using the Jewish rhetoric genre, common to the Old Testament, which was the primary source used by the apostle against his opponents and to teach the christians the relation between the old and the new covenant.

Combining the letter to the Galatians with the Old Testament, we suggest that Paul was influenced by the rhetoric style of the Old Testament, which was firmly fixed in the apostle’s mind such that the same structures arise naturally, influencing the construction of his ideas in all three divisions of the letter (Gal 1: 2; Gal.3: 4 and Gal.5: 6).


Keywords: Rhetoric. Old Testament. Galatians. Paul.


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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Como Jesus tratou as pessoas?

Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?” (Jo.6.67)

Você já observou como Jesus tratou diversas pessoas com quem tinha algum contato? Ao contrário do que muitos pensam Jesus não era agradável às pessoas o tempo todo. Ele contrariou as lideranças da época e confrontou as multidões secularizadas; seu tom de voz nem sempre foi manso e suave, pois diversas vezes proferiu palavras duras para os discípulos e os adversários (Mt.16.22-23; Mt.23; Jo.6.66-67); suas palavras nem sempre foram fáceis de serem compreendidas, pois muitas vezes pregou por parábolas para que as multidões não entendessem (Mt.13.10-15). Portanto, a imagem de um Cristo sempre agradável, manso e pronto para aceitar tudo sem contrariar ninguém não condiz com o testemunho dos Evangelhos acerca do Filho de Deus.

Desejamos mostrar que nosso “bom pastor” (Jo.10.14) não tinha a caricatura de um líder carismático que sempre agradava as pessoas. Para comprovarmos isso, veremos diversos eventos narrados nos Evangelhos onde Jesus se relaciona com as pessoas em alguma medida e procuraremos explicar diversas atitudes de Jesus, a fim de elucidar que o bom pastor não veio para satisfazer as vontades dos homens, nem mesmo de suas ovelhas. Por essa razão, os Evangelhos não escondem as diversas vezes em que Jesus se aborreceu com as pessoas a seu redor ou mesmo disse palavras duras para seus discípulos. Os relacionamentos de Jesus eram perfeitos, ou seja, Cristo não fingia sentimentos nem era hipócrita com o povo. Ele sempre se relacionava com as pessoas por meio da Verdade de forma que tratava cada uma de acordo com essa Verdade, quer suave e manso quer áspero e duro.

Cristo começou seu ministério com as seguintes palavras: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt.4.17). Ele não chamou pessoas para participarem de seu grupo de discípulos, apenas, nem propôs encontros interessantes e agradáveis para atrair famílias. Jesus foi no âmago do problema daquela geração, chamando-a para um verdadeiro relacionamento com Deus, Criador e Senhor de tudo. E considerando que as pessoas “estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt.9.36), alguns poderiam esperar palavras mais consoladoras e doces, tais como:

- Vai dar tudo certo! Apenas confiem em Deus.
- Deus ama vocês do jeito que vocês são.
- Orem que Deus dará vitória para vocês.
- Vamos fazer alguma programação interessante para motivar a igreja.

Todavia, o que o povo precisava não era de autoajuda nem de massagem no ego nem de promessas de vitória e prosperidade nem de subterfúgios. O problema dos judeus chamava-se pecado (Jo.8.32) e somente por meio do verdadeiro arrependimento o povo de Deus desfrutaria da alegria da salvação que Jesus lhe daria por meio da justificação. Por isso, as palavras de Jesus, que o acompanharão por todo o ministério, são palavras de confronto ao pecador, a fim de que a relação com Deus, com o próximo e com o irmão na fé estivesse fundamentada na verdadeira fé:

- “se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt.18.3).
- “se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lc.13.5).
- “se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados” (Jo.8.24).

Jesus estava diante de pecadores que precisavam ouvir a Verdade libertadora. O problema deles não se encontrava na falta de dinheiro ou em alguma doença ou em algo que os incomodava. Subterfúgios apenas esconderiam o real problema, como alguém que varre a sujeira da casa para debaixo do tapete. O problema do homem chama-se pecado, e somente a Verdade pode mostrar-lhe isso, pois “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr.17.9). Jesus, então, bate de frente com aquela geração, sabendo que o orgulho os faria rejeitar o chamado divino ao arrependimento; a arrogância os faria achar que sabiam a resposta para todos os seus problemas; a dureza de coração os faria senhores de si mesmos. Por isso, Jesus lhes era desagradável, pois a Palavra DELE sempre confrontava as multidões revelando seus mais profundos sentimentos, pensamentos e desejos pecaminosos.

O Evangelho de João nos conta que Cristo deu “princípio a seus sinais em Caná da Galiléia” (Jo.2.11) transformando a água em vinho. Mas, primeiro Jesus dirigiu-se para sua mãe com as seguintes palavras: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (Jo.2.4). Aquela foi a única ocasião em que Maria interferiu no ministério de Cristo, porque, mesmo tendo feito o que ela pediu, Jesus deixou claro que não permitiria que Maria se intrometesse em sua missão, pois Ele veio para fazer a vontade do Pai, não a vontade dos homens. Suas palavras, mesmo não sendo hostis, são firmes e pontuais, suficientes para deixar claro qual seu pensamento sobre o assunto. Depois disso, nunca mais Maria tentará interferir outra vez em seu ministério.

Logo em seguida, o apóstolo João narra o momento em que Jesus fez um grande tumulto em pleno período de festa, a festa da Páscoa (Jo.2.13-22). Cristo fez um chicote para expulsar as pessoas do Templo, tendo em vista que estavam banalizando o culto ao Senhor, transformando o Templo em “casa de negócio”. Cristo poderia ter esperado a festa acabar para não ser desagradável com as pessoas que viajaram para sacrificarem a Deus; ou mesmo poderia ter conversado mansamente com as pessoas, a fim de persuadi-las a não mais venderem dentro do pátio do Templo. Todavia, o zelo pelo Senhor encheu o coração de Cristo que não se conteve diante do que viu. Ele estava diante de falsos crentes que tinham no coração apenas a avareza e se aproveitavam da religião para ter lucro. Algo bem semelhante ao que tem ocorrido em diversas seitas e denominações, pois, além de venderem o Evangelho, inseriram dança, filme, show pirotécnico e até aniversário de pastor no culto que pertence exclusivamente a Deus. Mas, o que diriam se um pastor pegasse um chicote e começasse a expulsar as pessoas da igreja?

Até o momento, então, Jesus não se parece nada com uma pessoa que está sempre sorrindo para todo mundo, contando piadas em suas pregações, procurando agradar a todas as pessoas. Jesus realizou a obra do Senhor com seriedade, sem brincadeiras nem bajulações. Cristo chamou as pessoas ao arrependimento sem receio de ofendê-las por meio da pregação da Verdade, pois não tinha qualquer interesse na política eclesiástica nem nos favores dos homens. Jesus não estava interessado em ter muitos discípulos, mas apenas em salvar as ovelhas que o Pai lhe havia dado (Jo.6.39,44). Sua missão era fazer a vontade do Pai com fidelidade, conduzindo os homens para a salvação por meio do fiel ensino da Escritura Sagrada. Por essa razão, Jesus chamou a si mesmo de “bom pastor” (Jo.10.11).

Voltando para o Evangelho de Mateus, encontramos um longo sermão de Jesus (Mt.5-7). Nesse sermão, Jesus corrige a interpretação da Escritura feita pelos escribas e fariseus, contrapondo, assim, a liderança daqueles dias. Devemos observar que Jesus torna claro a todos que não adiantaria viverem uma religiosidade aparente, pois Deus conhece plenamente o coração do homem. Nisso, Cristo começou a desagradar àquelas pessoas que cumpriam regras aparentes, mas não viviam a lei do Senhor de todo o coração. Já no final do sermão, após ter revelado os pecados mais íntimos de seus ouvintes (Mt.5.21-48), Cristo lhes dirige as seguintes palavras: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt.7.21). Em outras palavras, Jesus diz ao povo:

- Não pensem que vocês me enganarão no último dia. Não adianta fingir que servem a Deus, pois Deus conhece o coração de vocês. Não adianta dizer que conhecem a Deus se não fazem a vontade do Senhor. Se vocês não viverem uma vida piedosa a partir do coração serão lançados no inferno junto com todos os demais pecadores.

Com essas palavras, Jesus estava conduzindo as verdadeiras ovelhas ao arrependimento enquanto sabia que os demais pecadores resmungariam por causa de suas duras palavras. Dessa forma, as Palavras de Cristo sempre encontravam duas reações diferentes: aceitação ou rejeição; humildade ou orgulho; confissão ou dureza de coração; amor ou ódio. Suas palavras soavam doces aos ouvidos daqueles que eram tocados pelo Espírito de Deus, pois eram suas ovelhas (Mt.7.28-29). Todavia, zuniam amargas e desagradáveis para aqueles que queriam viver em pecado, pois não pertenciam a Cristo, como joios no meio do trigo (Mt.13.24-30; Jo.10.26.27).

Algo semelhante ocorre em João 6 onde é narrada a ocasião na qual Jesus confrontou as multidões interessadas apenas no pão de cada dia. Jesus havia realizado um grande sinal como testemunho sobre quem Ele era. No entanto, as multidões voltaram no outro dia apenas para receberem mais pão, esperando que Jesus as alimentasse outra vez. Mas, em vez de Jesus fazer o que aquelas pessoas queriam, Ele frustra os anseios do povo e começa a pregar sobre a necessidade de crerem nEle para que tivessem a vida eterna, pois para isso Ele havia vindo (Jo.6.40). À vista disso, muitas pessoas foram embora aborrecidas, pois Jesus não fez a vontade delas (Jo.6.60-65). O bom pastor tornou-se chato e desagradável para aqueles que não queriam nada com Deus, pelo simples fato de lhes falar a Verdade, pois não queriam mais do que o pão de cada dia.

Então, o bom pastor começou a perder muitos seguidores, como se uma igreja visível começasse a perder membros. Todavia, em vez de Jesus ficar preocupado com isso, ou mesmo tentar fazer as pessoas voltarem a segui-lo, Cristo se dirige para os discípulos mais chegados e os experimenta dizendo: “Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?” (Jo.6.67 cf. Mt.16.21-23). Mesmo com a dureza de suas palavras, Pedro lhe responde com humildade e singeleza: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus” (Jo.6.68). Dessa forma, o narrador mostra aos leitores a grande diferença entre as verdadeiras ovelhas e as demais pessoas. Enquanto Jesus era desagradável para aqueles que não o conheciam nem o reconheciam como Senhor e Salvador, era a fonte de vida eterna para as verdadeiras ovelhas do rebanho celestial.

Em outra ocasião, Jesus mostrou-se desagradável por não respeitar as tradições dos homens nem se preocupar em contrariar a cultura de seus dias (Mt.15.1-9). Bem que Jesus podia ter estimulado os discípulos a não desprezarem as tradições dos anciãos. Todavia, quando questionado por não guardar as tradições, Jesus rebate a acusação dos fariseus e escribas por meio da Escritura e ainda os ofende diante de toda a multidão, chamando-os de hipócritas (Mt.15.7). Não foi nada agradável o que Jesus fez! Ele poderia ter satisfeito a vontade daqueles homens, afinal não há nada demais em lavar as mãos. Contudo, Jesus não poderia concordar com a hipocrisia daqueles líderes tão preocupados com tradições enquanto transgrediam a Palavra de Deus, pervertendo, assim, o caminho daqueles que deveriam estar andando com Deus.

Inúmeras vezes, Jesus proferiu palavras duras e ofensivas para aquela geração (Mt.11.16; 12.39; 16.4; 17.17; 23.36). Ao contrário dos líderes de nossos dias sempre preocupados em agradar às pessoas, Jesus não se importou em chatear seu público. Políticos se esforçam para alcançar votos e o favor dos homens (2Sm.15.1-6), mas aqueles que são chamados por Deus se dedicam, a fim de serem fiéis no cumprimento da missão que lhes fora confiada pelo Senhor (2Tm.4.5). Por isso, não parece que Cristo estivesse interessado em agradar às multidões; afinal quem gosta de ouvir desaforo dos outros? Não é de se estranhar que muitas pessoas tivessem deixado de segui-lo após terem ouvido seus sermões. Jesus não poupava nem mesmo seus discípulos mais próximos, pois os corrigia na medida de seus pecados. Quando Pedro, preocupado com o bem-estar de Cristo, tentou persuadi-lo a não ir para a cruz, Jesus lhe dirigiu as seguintes palavras: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus e sim da dos homens” (Mt.16.23). Pedro não percebeu, mas havia cometido um grave erro servindo de tentação para Cristo, pois não ir para a cruz seria desobediência ao Pai. Muitos pastores, presbíteros e diáconos deveriam ouvir repreensões semelhantes por tentarem atrapalhar a obra do Senhor, pois são mundanos em seus pensamentos, desejos e intensões. Mas, quem suportaria tais palavras?

Nem sempre Jesus atendeu às pessoas como elas queriam (Lc.12.13-14); nem sempre Ele foi agradável no tratamento aos que o procuravam (Mt.15.22-23). Muitas de suas palavras não foram doces, pois o verdadeiro discípulo deveria negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Mt.16.24). Dessa forma, em vez de satisfazer os desejos do coração daqueles que o seguiam, Cristo lhes transmitiu a Santa, Perfeita e Pura Verdade: “quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mt.16.25). Suas palavras, portanto, não foram nada convidativas para uma geração que estava apenas preocupada com o pão de cada dia. E quando lhe pediram um sinal para que cressem nEle, Jesus lhes dirigiu as seguintes palavras: “Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado” (Mt.12.39).

O procedimento de Jesus em todo seu ministério seguiu o padrão que apontamos acima. Ora palavras duras ora palavras suaves, mas todas ditas conforme a Verdade, de forma que somente as verdadeiras ovelhas viessem para Ele (Jo.10.27). Não importava muito a forma como Jesus lhes dizia a Verdade, pois o que desagradava às multidões não era o tom de sua voz, mas o conteúdo de suas Palavras. Jesus era desagradável às multidões, pois lhes dizia a Verdade sobre quem elas eram e sobre o único caminho para alcançarem a justiça, perdão e salvação (Jo.14.6). A Verdade sempre incomodará os filhos da mentira, pois eles amam o que é mau e não querem que lhes digam que estão errados. Por essa razão, o joio sempre perseguirá aqueles que propagam a Verdade, assim com os escribas e fariseus tentavam matar Jesus por causa de suas pregações (Jo.8.40-45).

Por fim, apresentamos o discurso mais duro de Jesus: Mateus 23. Em João 2.13-22, Cristo derrubou mesas enquanto usava um chicote para expulsar as pessoas do Templo, mas poucas palavras foram ditas às multidões. Contudo, em Mateus 23, Jesus pronuncia um sermão imprecatório para a liderança de Jerusalém. Sem medir as palavras, Cristo acusa os líderes de diversos pecados: ambição, tirania, hipocrisia, orgulho, egocentrismo, vaidade, mentira, avareza, cegueira espiritual, imundície de coração, cumplicidade em homicídios (Mt.23.1-36). E antes de preanunciar o juízo sobre Jerusalém, Jesus lhes dirige as seguintes palavras: “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mt.23.33).

Dificilmente alguém será tão desagradável às pessoas em nossos dias quanto foi Jesus para aquela geração, afinal vivemos dias politicamente corretos. Poucos pastores estão mais preocupados em pregar a Verdade para cumprir o chamado divino do que contar piadas de púlpito para agradar à plateia. Outros fazem teatro ao se mostrarem duros em suas pregações, mas desprezam a verdadeira piedade e o fiel ensino da Escritura Sagrada. E nisso tudo, ninguém quer ser chato para as pessoas, pois pouquíssimas pessoas amam um pastor chato por ser fiel a Deus. Por essa razão, o ministério pastoral transformou-se em profissão e o chamado divino foi rebaixado a título eclesiástico.

Mas, o fato de Jesus não ser o que as pessoas gostariam que fosse seria algo ruim? NÃO!!! Pois, Cristo veio ao mundo para fazer as obras do Pai (Jo.5.36), não para satisfazer a vontade dos homens. Ele não “poderia” ter aberto mão da Verdade por um só momento, a fim de agradar aos discípulos? NÃO!!! Jesus não poderia viver a mentira dos homens para satisfazer aos anseios de uma geração de pecadores desobedientes a Deus. A salvação do homem não se encontra na satisfação de seu querer, mas na satisfação da justiça divina por meio da morte do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. A conversão do homem não ocorre por meio de sua participação em uma denominação, mas por meio de um legítimo arrependimento e fé em Jesus, que dão início ao processo de santificação da vida. A nova vida que Cristo tem para nós não consiste em Deus (o pastor ou a igreja) fazer tudo o que os “cristãos” querem, mas em cada discípulo de Jesus ter em seu coração uma nova disposição pronta para ouvir e atender humildemente toda a vontade revelada por Deus por meio de Sua Palavra.

Jesus era desagradável para aquela geração (e também seria para esta geração) porque lhe pregava a Verdade. Suas palavras não agradaram nem às multidões nem à liderança de seus dias e também não agradariam aos cristãos e líderes das denominações de nosso tempo, pois não atendiam aos desejos pecaminosos de quem queria viver uma religiosidade aparente, repleta de tradições de homens, mas vazia da verdadeira piedade que provém da Palavra e do Espírito de Deus. Sua imagem não era semelhante a um pastor carismático e brincalhão nem a um palestrante sorridente e dinâmico. Jesus não esteve entre os que amavam o poder e a fama nem se deixou levar pelo povo que só queria o pão de cada dia. E por não se enquadrar em nenhum grupo nem favorecer nenhuma pessoa, Jesus foi crucificado por seus contemporâneos.

Com certeza, muitos ao terminarem de ler esse artigo dirão: duro é esse discurso (Jo.6.60)! E da mesma forma como as multidões rejeitaram as palavras de Cristo naqueles dias, diversos ouvintes rejeitarão a fiel pregação do Evangelho de Jesus, hoje. O que fazer diante disso? O pastor deve se consolar nas palavras de Jesus dirigidas aos discípulos antes que começassem o ministério da pregação (Jo.15.20-21), sabendo que a fidelidade a Deus sempre encontrará muitos obstáculos, pois a Verdade sempre será desagradável ao mundo que jaz no maligno:

Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isto, porém, vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou. (Jo.15.20-21)

domingo, 7 de janeiro de 2018

Faroeste gospel

Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Sl.11.3)

No dia 1 de dezembro de 1903, estrelou o filme: “The great train robbery”, o primeiro faroeste da história do cinema. O curta-metragem de doze minutos empolgou as plateias com um pouco de ação, motivando diversos outros filmes sobre a vida no Velho Oeste dos Estados Unidos, chamando assim, a atenção da população para os perigos de uma sociedade “sem lei”, onde cada família precisava defender seus direitos por meio da força.

Mesmo havendo um considerável número de filmes sobre o faroeste, há algo comum entre eles: todos possuem mocinhos, bandidos, dominadores “legais” da cidade e cidadãos comuns. Portanto, mesmo que o enredo possa mudar, o coração das estórias faroestes gira em torno da luta pelo direito, a propriedade privada e a liberdade. E para atender a essas necessidades, surge a figura do mocinho que liberta famílias e cidades das garras malignas tanto dos bandidos quanto dos tiranos que dominavam por meio da força política.

A presente conjuntura evangélica tem apresentado diversas características similares ao faroeste norte-americano. A primeira semelhança é o cenário. Não me refiro aos tumbleweed, plantas secas que rolam pela cidade, mas ao ambiente pesado e agressivo no qual tem se desenrolado os mais diversos enredos da igreja evangélica nacional, com personagens semelhantes. Deixamos, então, de lutar contra o mundo lá fora para lutar contra dominadores e falsos profetas dentro, pois a igreja está dividida, vivendo um cansativo período de guerra civil nos quatro cantos do país.

Mas, o que levou a igreja a tal sofrimento? Por que a guerra interna tornou-se mais forte que a luta contra o paganismo? Porque o mundo conseguiu entrar na igreja visível! Os bandidos que outrora blasfemavam contra Deus lá fora, estão ensinando heresias dentre o povo de Deus; os governantes tiranos que dominavam o povo lá fora, agora estão manipulando a política eclesiástica; o relativismo que predominava lá fora, agora está dissociando a ortodoxia da ortopraxia, enganando o coração de líderes e liderados que se gabam de suas tradições, mas negligenciam “os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé” (Mt.23.23).

Por esta razão, a igreja evangélica brasileira tornou-se um faroeste gospel cheio de cenas de bang bang em que sempre sai alguém ferido, quer pastor, presbítero ou ovelha. E parece que estamos longe de ver o fim dessa guerra, pois pouquíssimos estão, realmente, interessados na preservação da Verdade. Boa parte dos militantes luta pelo estabelecimento da própria vontade disposta a um acordo de paz, apenas, por meio de sua vitória. Infelizmente, na maioria das vezes, Deus tem sido desonrado, pois “o Nome de Deus é blasfemado entre os gentios” (Rm.2.24) que assistem de camarote à guerra civil da igreja, torcendo para que não sobre um só cristão para contar a história, no final.

Com isso, não me refiro à luta contra diversos ensinos heréticos que ressurgiram em nossos dias: a teologia da prosperidade, gnosticismo, idolatria de pessoas importantes, liberalismo teológico, misticismos e sincretismos evangélicos, apostolado hoje, ministério pastoral feminino e coisas semelhantes. Há muitas seitas e heresias contra as quais devemos lutar bravamente, como heróis que defendem a “fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd.3). Mas, ao contrário disso, deixamos de lutar contra ameaças externas para impedir que roubem nossa liberdade cristã (Gl.2.4), pois transformaram a igreja de Jesus em fonte de status e lucro.

O salmista havia advertido quanto ao perigo em destruir os fundamentos (Sl.11.3). A Escritura é a expressão do governo do Senhor Jesus, razão porque deve ser obedecida “à risca” (Sl.119.4). Por meio da Palavra de Deus, a igreja é dirigida a “somente um corpo e um Espírito”, “um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” (Ef.4.4-6). Desta forma, todas as divergências deveriam ser tratadas à luz da Escritura, não de opinião pessoais, com toda piedade e temor, com o fim de manter a unidade da igreja de Cristo, diligentemente (Ef.4.3); não “como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (1Pe.5.3).

Portanto, ao criarem tradições de homens, invalidando a Palavra de Deus, rejeitaram o governo do Senhor Jesus e abriram portas para todas as mais variadas expressões da crendice humana, quer com aparência de rigor ou mesmo com essência liberal. Além disso, ao tentarem dominar sobre a igreja, estabelecendo regras que beneficiam a si mesmos, os pastores e presbíteros desprezam o fato de que Deus “não faz acepção de pessoas” (1Pe.1.17), sendo Senhor tanto de líderes quanto de liderados, e haverá de julgar aqueles que fazem mal aos pequeninos de Jesus (Mt.18.6; Lc.20.10; Ef.6.9).

Urge, portanto, a necessidade de humilhação. Sim, humilhação! Diferente do que o mundo pensa, a vitória e glória do homem não se encontram no domínio, poder, status ou riqueza. A humilhação do homem perante o senhorio de Cristo Jesus é ponto de partida para a transformação que o Espírito e a Palavra de Deus podem operar, “pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc.14.11). Pastores, presbíteros, diáconos e todos os demais irmãos precisam se humilhar perante o Senhor, confessando o pecado da soberba, pois quiseram conduzir a igreja segundo o próprio coração, abandonando a Palavra de Deus para cuidar de seus próprios interesses.

O faroeste gospel só chegará ao fim quando Jesus, o mocinho da história, for o único protagonista da igreja do Senhor, o Xerife do povo de Deus, para que todos recorram a sua Palavra, a fim de conhecer a perfeita vontade de Deus. Nesse Reino, não há lugar para bandidos nem dominadores, pois um só é Senhor de tudo e todos (Ap.21.1-7). Também, não há lugar para tradições de homens, pois uma única lei regerá a vida da igreja: a Palavra de Deus. Portanto, aqueles “que têm fome e sede de justiça” (Mt.5.6) devem clamar intensamente a nosso herói: Jesus, sabendo que Ele é nossa única esperança para dias melhores.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Conselho aos jovens teólogos

Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.” (Pv.3.5)

Vivemos um período considerado posterior ao racionalismo, mas não o fim deste, pois o homem ainda confia demasiadamente na própria razão, considerando-se capaz de conhecer a Verdade por meio de pesquisas e deduções, como Sherlock Holmes, ignorando, assim, que tanto a sabedoria quanto o conhecimento provêm daquele que é a origem e fonte de todas as coisas: Cristo.

Infelizmente, o racionalismo está presente não apenas nas academias regidas por ateus e anticristãos, mas, ainda, em seminários, igrejas e ruas da sociedade. Ou seja, o modo de pensar do homem pós-moderno não é apenas sincretista e supersticioso como, também, racionalista, pois sua fé mais profunda está arraigada na própria razão, a qual superestima, demasiadamente.

Mas, qual o problema em confiar na própria razão? Deus nos fez para pensar, então por que não podemos dar asas aos pensamentos? Já que somos racionais, não deveríamos buscar todo conhecimento por meio da razão? Por mais lógicas que pareçam ser tais perguntas, todas ignoram as implicações da presença do pecado na criação e o fato de que não conhecemos todas as proposições sobre o conhecimento.

O que quero dizer com esses dois fatores: presença do pecado na criação e desconhecimento de todas as proposições? Primeiro, devemos considerar que o pecado entrou no mundo atingindo, também, a mente humana, razão para termos pessoas muito estudiosas e inteligentes (para muitas questões) que acreditam, piamente, que o ser humano provém de uma série de evoluções fortuitas da linhagem dos macacos. Essa crença por si só, demonstra o quanto o pecado atingiu a mente do homem, pervertendo-a. Portanto, não podemos confiar inteiramente nas deduções de mentes caídas, pois até o mais bem estudado assunto pode ser fruto de uma mera utopia, quando não tem sua origem na revelação de Deus.

Em segundo lugar, não devemos ignorar (inclusive os teólogos) que não conhecemos todas as proposições sobre todos os assuntos. Ou seja, sabemos apenas aquilo que nos foi revelado por Deus na medida em que Deus quis revelar para nós. Nem mesmo Adão e Eva antes de pecarem tinham todo conhecimento, pois não conheciam “o bem e o mal” (Gn.3.5), por exemplo. A implicação disso é que a falta de proposições para a construção das mais variadas estruturas lógicas pode nos levar aos mais absurdos erros, com aparência de verdade, pois até a mais bem construída estrutura lógica pode estar completamente errada caso lhe falte alguma proposição essencial que desconheçamos. Por essa razão, todo assunto deve ser tratado com muita cautela, piedade e temor, a fim de não cairmos no pecado dos amigos de Jó, que, não conhecendo a Verdade, construíram falsas deduções e não disseram sobre Deus o que é reto (Jó.42.7).

Ou seja, Deus não quis revelar ao homem todas as coisas (2Co.12.4; Ap.10.4), exigindo-lhe, assim, uma completa confiança em sua Palavra e uma plena satisfação no conhecimento que lhe fora revelado. Diante disso, a curiosidade humana será sempre uma tentação (1Ts.5.1-2), como foi para Eva que quis conhecer além daquilo que lhe havia sido revelado (Gn.3.6). O teólogo, portanto, deve conhecer os limites de seus estudos, mostrando pleno contentamento com aquilo que Deus lhe revelou, sabendo que o conhecimento que nos foi legado é plenamente suficiente para uma vida abundante com Cristo; tanto na esfera individual quanto social, até a volta de Jesus.

Por essa razão, gostaria de lembrar aos jovens teólogos de nossos dias que o caminho da teologia deve ser trilhado em Cristo e para Cristo. O propósito da teologia não é satisfazer a curiosidade de quem almeja filosofar possibilidades, se achando o maior teólogo de todos os tempos. Deus nos revelou sua Palavra para conhecermos Cristo e vivermos nEle plenamente, desfrutando, assim, de uma vida completa nEle (1Co.2.2; Gl.2.20). Por isso, todo estudo teológico deve ser realizado com piedade e oração, com humildade e temor, visando à edificação da igreja e o pleno deleite do cristão, em Jesus. A curiosidade vã, mesmo nos assuntos teológicos, revela desprezo à seriedade e sublimidade da revelação divina e constitui-se em pecado contra aquele que chama a própria Palavra de Santa, Perfeita, Fiel, Verdadeira, Justa etc (Sl.19.7-10).

Temos muitos jovens teólogos espalhados pelas redes sociais. E tendo em vista o amplo alcance dessas redes, os jovens teólogos conseguem muitos adeptos a suas ideias, rapidamente. Diante disso, mais um problema deve ser antecipado: a alimentação do orgulho próprio. Tenham cuidado com vossos “ídolos”, pois o coração do homem está sempre a procura de alguém para “adorar”. Por isso, os jovens teólogos devem ter cuidado para que, mesmo dizendo verdades, não sejam encontrados usurpando a glória de Deus.

Para não caírem na tentação de se tornarem ídolos para si mesmos e para os outros, estudem a Escritura com humildade, conscientes de suas limitações, rejeitando toda admiração excessiva de terceiros (e de si mesmo). Temam ensinar coisas erradas para as pessoas (Mt.5.19; 1Co.3.11-17), para que sejam mais cuidadosos em postarem suas convicções sem todo estudo adequado. Tenho encontrado diversas postagens com erros exegéticos e teológico-bíblicos que não são identificados por aqueles que curtem as publicações, pois lhes falta conhecimento suficiente das ferramentas e da própria Escritura. Lembrem-se que a leitura de alguns teólogos não os tornam “doutores” em todos os assuntos teológicos, mas apenas conhecedores de algumas vertentes sobre alguns pouquíssimos assuntos que foram tratados por esses estudiosos.


Por fim, não queiram ser mestres sem que tenham sido chamados e preparados para isso. Tiago adverte quanto ao perigo de almejar o caminho do ensino sem uma adequada reflexão: “Irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.” (Tg.3.1) Lembrem-se que a teologia não visa o envaidecimento pessoal, por meio de fama e status. Todo estudo teológico deveria, realmente, glorificar Cristo, conduzindo as pessoas à Verdade, não apenas a opiniões teológicas pessoais de um grupo de teólogos. Portanto, ore não somente por você, para que compreenda corretamente a Escritura e estude com piedade, mas, também, pela igreja para que todos entendam a Verdade (Cl.1.9) e cheguem “à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef.4.13).