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domingo, 1 de maio de 2011

Libertos do Império das Trevas


Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl.1.13,14)

A conquista da liberdade é o maior e mais antigo desejo do ser humano. Homens morreram na luta por liberdade, nações guerrearam para se verem livres da subserviência, leis foram criadas para promover a libertação de escravos. Gerações vão e outras vêm e o desejo de liberdade permanece no coração do homem, sem que este saiba o que realmente o aprisiona. Infelizmente, a liberdade tem sido confundida com a libertinagem. E, na tentativa de sentir-se livre, valores tem sido negados e substituídos pelo parecer pessoal e subjetivo de cada coração confuso e perdido. A sociedade se subdividiu em pequenos mundos individuais, semelhante aos dias dos juízes de Israel quando “cada um fazia o que achava mais reto” (Jz.21.25).

O sonho de liberdade de Israel começou com sua ida ao Egito. Antes mesmo de se tornar escrava, a família de Jacó precisava se livrar da seca que assolava a terra. “Então, José mandou chamar a Jacó, seu pai, e toda a sua parentela, isto é, setenta e cinco pessoas” (At.7.14). A família vai ao Egito e com o passar dos anos se multiplica e se torna um grande povo, mas, um novo governante se levanta sobre o Egito e passa a oprimir os filhos de Israel. Após 430 anos, o povo clama ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó (Ex.3.6-9), rogando a liberdade. A nação que lhes havia sido abrigo e provisão, torna-se o julgo e o fardo de Israel, escravizando o povo e matando suas crianças (Ex.1.11,22). Então, Deus se compadece de Israel e o liberta da escravidão daquela nação idólatra. “Assim, o SENHOR livrou Israel, naquele dia, da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar. E viu Israel o grande poder que o SENHOR exercitara contra os egípcios; e o povo temeu ao SENHOR e confiou no SENHOR e em Moisés, seu servo” (Ex.14.30,31). O Egito foi o primeiro império, humano e visível, que escravizou Israel durante sua história como nação, e, é a mais importante analogia do império das trevas, que tem escravizado bilhões de vidas no decurso das gerações.

Mesmo fora do Egito, a idolatria não saiu do coração do povo, que era escravo do pecado. Por causa da dureza de coração, a geração que saiu do Egito passou 40 anos andando no deserto até morrer. Eles haviam saído do Egito, mas não haviam tirado o Egito de dentro do coração deles. Contudo, a morte daquela geração não resolveu o problema da nação. A semente da incredulidade continuava impregnada na alma da geração seguinte, mostrando para os filhos de Israel que o maior inimigo deles estava dentro do coração: a natureza pecaminosa. Mesmo quando Israel tinha paz com os povos ao seu redor, dentro de cada coração estava o caos, rebelando-se contra os mandamentos do Senhor. Por isso, inúmeras vezes, Deus reivindicou a obediência que lhe é devida: “Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu” (Is.29.13).

O povo precisava ser liberto, não de um inimigo visível, mas da escravidão do pecado, pois “todo o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo.8.34). O Egito fora apenas uma pequena demonstração de quão perverso era o império que o escravizava, o império das trevas, destruindo suas vidas, matando suas famílias e impedindo-os de entrar numa “terra que mana leite e mel” (Ex.3.8). Por causa da incredulidade, Israel sofreu durante anos o julgo opressor e fardo pesado que o império das trevas impunha sobre a nação. Apenas uns poucos obtiveram pela fé a graça de serem livres da escravidão do pecado, se apegando, por esta mesma fé, à esperança da promessa da vida eterna. No entanto, eles “foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra(Hb.11.37-38).Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé” permaneceram firmes ainda que não vissem a concretização da promessa divina (Hb.11.39).

A obstinação da nação de Israel durou 1400 anos, de Moisés até Jesus, e durante todo este tempo, Deus usou Seus profetas para falarem ao coração do povo, pregando arrependimento e obediência em todo tempo. Israel cumpria as leis cerimoniais, praticando diariamente os ritos ensinados por Moisés, no entanto, continuava com o coração escravizado pelo pecado. Ainda que Israel fosse uma nação livre, sendo o “SENHOR, [...] o único SENHOR” (Dt.6.4), “contudo, os altos não se tiraram, porque o povo não tinha ainda disposto o coração para com o Deus de seus pais” (2 Cr.20.33), e “povo ainda sacrificava e queimava incenso nos altos” (2 Rs.14.4), servindo ao império das trevas, adorando outros deuses e cometendo todo tipo de coisa abominável à Deus. O coração do povo estava em trevas e Deus exortava-os através de Seus profetas, dizendo: “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (Is.1.16,17).

Era de Cristo que eles precisavam. Moisés os libertara da escravidão do Egito, mas somente Jesus poderia libertá-los da escravidão do pecado e da opressão do império das trevas. Cristo veio e os apóstolos anunciaram a Sua Salvação não somente aos Judeus como também aos Gentios, do mundo da época, e, neste propósito, o apóstolo Paulo desbravou cidades diversas, pregando a libertação do império das trevas. A graça de Deus alcançou a muitos, libertando-os das trevas e dando-lhes a esperança da eterna vida.

Muitos dos colossenses não eram mais escravos, pois Cristo os libertara definitivamente. Pela fé eles se apropriaram da vitória de Cristo na cruz e se tornaram co-participantes das promessas de Deus. Agora, libertos da escravidão, deveriam servir a Deus em novidade de vida. Da mesma forma, como os Israelitas deveriam ter tirado o Egito do coração, os colossenses precisavam abandonar a velha vida mundana. A nova vida no “reino do Filho do seu amor” (Cl.1.13), além de esperançosa é adornada de santidade à imagem de Cristo (Rm8.29). Nesta nova vida, o pecador feito cristão é “o sal da terra” (Mt.5.13) e “a luz do mundo” (Mt.5.14).

E você, de que realmente precisa ser livre? Há muitas coisas que podem lhe incomodar durante a vida, mas somente se “o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo.8.36). Se você foi liberto pela fé em Jesus, viva, então, como um verdadeiro filho de Deus, súdito de um único Reino, o Reino de Deus. E, lembre-se que há muita gente ainda escravizada carecendo de verdadeira libertação que só Cristo pode dar aos corações perdidos. Por isso, “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não” (2 Tm.4.2). “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm.10.13-14).

Ao mesmo tempo em que Colossenses 1.13 e 14 nos encanta, falando ao nosso coração sobre a maravilhosa obra de Cristo na cruz do calvário por nós, também nos exorta quanto à necessidade de se pregar o evangelho à bilhões de vidas que ainda estão escravizadas sem conhecer a graça salvadora de Deus. O evangelho que alcançou e transformou, poderosamente, a tua vida, é o mesmo evangelho que é poderoso para alcançar e transformar as muitas vidas que caminham perdidas e confusas ao seu redor.

O mundo vive a era da “liberdade de expressão”, mas somente se “o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo.8.36).

4 comentários:

  1. Mensagem maravilhosa, Deus continue te abençoando!!!!

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  2. Estava mesmo precisando ler um texto assim. Muito edificante a mensagem.
    God bless you always Pr. Alexandre Alencar!

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