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sábado, 14 de abril de 2018

Olhe para Jesus!

Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Fp.4.4)

É tão comum encontrarmos problemas dentro das igrejas que o número de desigrejados tem crescido bastante. Ou seja, há tantos problemas causados pelos membros das mais diversas denominações que alguns deles, procurando fugir de tais problemas, se afastam definitivamente da comunhão dos santos, na tentativa de viver um cristianismo solitário. Outros saem da igreja local levados por uma espécie de síndrome de superioridade, pois consideram-se superiores aos demais irmãos que julgam estarem sempre errados. Portanto, o descuido dos cristãos no exercício de uma vida piedosa bem firmada em Jesus tem gerado diversos problemas tanto para a comunhão no seio da igreja quanto para o avanço do Reino de Deus. Melindre, maldade, maledicência, carnalidade e egocentrismo tem gerado contendas internas, disputas eclesiásticas, empecilhos na evangelização, além de expor um mau testemunho perante o mundo que tem encontrado diversos motivos para falar mal da igreja de Cristo, em nossos dias.

Contudo, por piores que sejam os problemas, a Escritura nos diz que eles também podem cumprir o bom propósito de auxiliar a revelar quem são os fiéis tanto com respeito à teologia quanto em relação a sua prática. A igreja de Coríntios possuía muitos problemas, principalmente de ordem moral, mas, diante de alguns desses problemas, o apóstolo Paulo disse: “Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio” (1Co.11.19). Ou seja, muitos problemas ajudarão a igreja a ver quem são os fiéis que não abandonam a fé por causa de dificuldades nem negam Cristo por causa da pressão das pessoas nem trocam Jesus por causa da sedução do mundo nem se rebelam diante da disciplina do Senhor nem tentam prejudicar a obra de Cristo quando são desagradados etc.

Mesmo assim, não devemos almejar que a igreja de Jesus viva em constante conflito e deficiência. Ver o povo de Deus andando fielmente e alegremente com o Senhor é algo bom, pois demonstra maturidade na fé, amor fundamentado na Verdade e firmeza na esperança da glória a ser revelada dos céus (1Ts.1.3). Por essa razão, Paulo combateu diversos pecados e problemas através do fiel ensino da Palavra de Deus, de forma que, em todas as suas cartas, encontramos o apóstolo conduzindo os cristãos a Cristo, a fim de que, olhando para o Senhor e Salvador, pudessem viver uma vida cristã autêntica em que fosse “Cristo engrandecido” “quer pela vida, quer pela morte” (Fp.1.20).

Qual, então, a solução do Senhor para que a igreja viva uma vida plena? A resposta é Cristo! Na ocasião em que escreveu a carta aos filipenses, Paulo estava preso. Portanto, o apóstolo tinha um problema que tanto poderia entristece-lo quanto poderia dificultar o avanço do evangelho. Então, olhando para Cristo, Paulo motiva a igreja a alegrar-se em Jesus, viver de modo digno do Senhor e descansar o coração naquele que a salvou. Toda a carta aponta para Cristo, tanto como fundamento da fé quanto como exemplo de vida que deve ser seguido por todos. Tudo gira em torno de Cristo, pois somente nEle os filipenses poderiam dar graças a Deus mesmo diante das dificuldades (Fp.1.3-11); conseguiriam ver que as cadeias não impediam a pregação da Palavra de Deus (Fp.1.12-26); seriam capazes de lutar juntos pela fé que lhes fora entregue, esvaziando-se de si mesmos (Fp.1.27-2.18); teriam forças para buscar aquilo que é de Cristo, não apenas o que é próprio (Fp.2.19-30); resistiriam aos falsos profetas por meio da plena convicção da Verdade que lhes fora ensinada fielmente (Fp.3.2-21); superariam as diferenças e a ansiedade, a fim de terem apenas o que é puro e verdadeiro na mente e no coração (Fp.4.2-9); e, venceriam, com firmeza, todos os obstáculos da vida, a fim de não desistirem jamais da caminhada cristã (Fp.4.10-20).

É preciso olhar para Cristo! Dificilmente os problemas criados pelos cristãos não estão relacionados à deficiência no olhar para Cristo. Uns não compreendem Cristo, pois não se esforçam por entendê-lo; outros não olham atentamente para Cristo, como deveriam, mostrando-se incapazes de imitá-lo em tudo; há quem olhe mais para si mesmo, ou para outras pessoas, do que para Cristo, alimentando uma espécie de egocentrismo ou idolatria; e, há quem desvie os olhos de Cristo, deixando-se levar por seduções desse mundo que “jaz no maligno” (1Jo.5.19). Sempre contemplamos algo, pois, para isso, Deus nos deu olhos. Portanto, se não estivermos com os olhos fitos no Senhor Jesus, estaremos atentos ao mundo que está ao nosso redor. E já que o ser humano costuma aprender por mimetismo, ou seja, imitando, então nos tornamos parecidos com aquilo que tanto contemplamos seja bom seja ruim, quer Cristo quer o maligno.

Olhe para Cristo! Veja como Jesus pregou para as multidões e como ensinou seus discípulos preparando-os para transmitir o Evangelho ao mundo. Jesus não abriu mão da Verdade, pois veio cumpri-la (Mt.5.17-48) e mesmo diante da indisposição das pessoas não deixou de ensinar somente a Verdade (Jo.6.22-71). Jesus não se intimidou diante dos adversários que tentavam prendê-lo (Mt.23.1-39) nem atraiu pessoas por meio de carisma, mas por intermédio da pregação do Evangelho (Mc.1.38). Jesus falava abertamente e era sincero com todos, mesmo quando a Verdade machucava o coração orgulhoso do ser humano. O falar de Cristo era manso e suave para com os quebrantados e arrependidos (Mt.11.28-29), mas firme e duro ao se dirigir para os hipócritas e enganadores (Mt.23), pois tanto recebia com amor aqueles que queriam ser transformados pelo poder da Palavra de Deus quanto lutava contra todos que desviavam o povo de Deus dos santos caminhos do Senhor.

Olhe para Cristo! Contemple o viver de Cristo que andou humildemente entre os pecadores, pois “se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp.2.7), servindo sua geração com graça e amor, dizendo: “sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo.13.14-15). Observe o sacrifício de Jesus por meio do qual todo aquele que nEle crê recebe a vida eterna (Jo.3.16) e imite-o entregando, totalmente, sua vida ao Senhor para que outras pessoas possam ser abençoadas por meio de seu falar e agir, não vivendo mais para si, mas para aquele que por nós morreu. Veja o grande amor de Cristo pelo Pai a quem dedicou sua vida para fazer exatamente a vontade do Senhor. Portanto, olhe para aquele que tanto é poderoso para salvar quanto para nos fazer frutíferos, por meio de seu Espírito e Palavra que nos foram dados graciosamente.

Para que seu olhar esteja direcionado a Cristo, você precisará “negar a si mesmo” (Mt.16.24), deixando, assim, de contemplar a própria vida. Em si mesmo, você encontrará fraquezas e pecados que o afastarão do Senhor e o desmotivarão durante a caminhada cristã. Porém, em Cristo, você encontrará força e santidade que tanto o confortarão diante das adversidades quanto o motivarão a continuar lutando pelo Senhor, na certeza de que Deus está presente para capacitá-lo a ser fiel e abundante na obra, “sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1 Co.15.58).

Olhando para Jesus, não há como desistir nem desanimar, pois nEle sempre encontraremos poder para vencer as tentações, resistir ao inimigo, superar as tribulações. Olhando para Jesus, lutamos por algo superior ao que pode ser oferecido nesse mundo, pois lutamos por uma pátria celestial que do céu será manifesta para aqueles que perseverarem até o fim. Olhando para Jesus, temos uma verdadeira compreensão sobre a igreja, pois entendemos tanto sua glória quanto suas fraquezas, tendo em vista que ela já desfruta do Reino de Deus, mas ainda não em sua plenitude. Somente por meio de um firme e constante olhar para Cristo, cada cristão saberá lidar com as fraquezas e os defeitos dos irmãos, bem como tratar as próprias lutas travadas no coração; saberá viver de modo digno do Senhor para que Deus seja glorificado na humildade, na santidade, na pureza, na bondade, na submissão, na fidelidade, na paciência, na compaixão, na justiça e na integridade presente em todos os relacionamentos de um povo que existe por Cristo e para Cristo. Portanto, olhe para Jesus e não desvie seu olhar dEle, sabendo que somente Cristo pode sustentar você até o fim, preservando-o para o dia de seu glorioso retorno.



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