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sábado, 7 de maio de 2016

Autocomiseração e traumas

tudo posso naquele que me fortalece” (Fp.4.13)

Lendo hoje, para minha filha, a história de Jacó (Gn.37-50), parei um pouco para refletir a marcante experiência que José passou por causa da inveja de seus irmãos. Ele foi vendido pelos próprios irmãos que antes disso ainda pensaram em matá-lo. Vivendo como escravo no Egito, José foi acusado injustamente e lançado na prisão onde passou mais de dois anos (Gn.40.15; 41.1). Foram longos e difíceis os anos de José no Egito (Gn.37.2//41.46,51). Contudo, seu proceder durante todo esse tempo foi temente e fiel a Deus, sem reclamar ou culpar o Senhor por todo sofrimento injusto que passara. Em seu posterior encontro com os irmãos, José demonstrou maturidade espiritual, compreendendo que Deus estava em todo tempo no controle de tudo, tanto dos momentos ruins quanto bons (Gn.45.5,8). Desta forma, José glorificou a Deus perante seus familiares e diante de toda a nação do Egito.
A psicologização da sociedade a tornou frágil e traumatizada. Um exemplo disso pode ser encontrado no forte combate ao Bullying. Conforme os “especialistas”, as crianças podem ficar traumatizadas se forem chamadas de gordas, magras, baixas, altas, brancas, pretas, burras, inteligentes demais, hábeis, desengonçadas etc. Fundamentados na mesma ideologia, o governo criou cotas para quase tudo; e, querendo igualar os homens, terminou por confirmar as diferenças, mostrando para todos que certos grupos precisam ser tratados como “especiais”. Desta forma, estão criando uma geração de autocomiseração e traumas. As pessoas sentem compaixão delas mesmas e enchem as salas dos psicólogos, traumatizadas com tudo e com nada. Isso demonstra que a presente geração está doente, melindrosa e egocêntrica.
O evangelho é o remédio contra a fragilização da sociedade. Pessoas fracas não são capazes de encarar os problemas, pensando na glória de Deus; pessoas fracas acham que Deus só está com elas quando tudo está bem; pessoas fracas abandonam a igreja quando aparece o primeiro problema; pessoas fracas não estão prontas para sofrer por Jesus e morrer por Ele, quando for necessário. As pessoas não precisam de cotas para vencer, elas precisam confiar no Senhor, a fim de que lutem bravamente contra as intempéries da vida (Sl.23.4). O Evangelho mostra o Cristo que venceu, mas, para isso, teve que viver entre pecadores maus; suportar as afrontas de seus inimigos; sofrer humilhações, angústias, dores e açoites; ser entregue por um dos discípulos que o acompanhou três anos; e, por uma multidão que, depois de ter recebido seus milagres, pedira a Pilatos para que o crucificasse (Lc.23.18-24). Contudo, mesmo encravado numa cruz, Jesus olha para as multidões e diz ao Pai: “perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc.23.34).

“A alegria do Senhor é vossa força” (Ne.8.10), disse Neemias e Esdras, fortalecendo o coração do povo para que seguisse em frente, sem chorar as angústias do passado. Autocomiseração enfraquece o coração do soldado que precisa estar forte para a guerra, mas o Espírito do Senhor fortalece nossas mãos para a batalha (Sl.144.1; Ef.6.11-18). Paulo não era melhor do que eu ou você, mas, na força do Senhor (Ef.6.10), venceu inumeráveis lutas, conforme nos conta sua imensa lista de tribulações sofridas por Cristo (2Co.11.23-27), sem traumas, sem murmurações, sem autocomiseração. Você não precisa de um psicólogo para tirar traumas. Você precisa de Cristo, para não deixar que angústias da vida se tornem traumatizantes. Profissionais dirão o que você quer ouvir, para que você se sinta bem. No entanto, Cristo dirá para você, por meio da Escritura, o que precisa ouvir, para que você deixe de amar mais a si mesmo do que a Deus, pois somente assim você estará pronto para glorificar o Senhor, “quer pela vida, quer pela morte” (Fp.1.20).

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