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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O que é esse tal de Natal?


Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Is.53.5)

Natal é tempo de falar coisas bonitas, trocar presentes, festejar com os amigos. Essa é a mensagem que as muitas propagandas anunciam, insistentemente, às pessoas, motivando-as a gastar o 13º salário em compras. Mas, como podemos contemplar a beleza da vida sem retirar dela a sujeira que a deixa feia? Como viver o amor fraternal sem remover a hipocrisia e a dureza do coração? Quais as razões que o mundo tem para festejar se o pecado está conduzindo muitas vidas para o inferno e ferindo continuamente a santidade do Deus que tudo criou?
Você já percebeu que não se prega sobre o pecado nos dias que circundam o Natal? Já é difícil os pregadores apontarem os pecados das pessoas no dia a dia quanto mais em dias de festa, quando todo mundo quer apenas trocar presentes, realizar banquetes e fingir que tudo está bem, jogando as sujeiras do velho ano para debaixo do tapete. Falar sobre pecado é chato, coisa de pastor ranzinza e logo, logo estará se tornando crime. A moda é falar de autoestima, ensinando as pessoas a pensar positivo, fingindo que tudo está bem. Afinal, o homem é apenas fruto do meio e seus pecados são justificados não por Cristo, mas por qualquer trauma que ocorreu na infância, diz o mundo. Mas, foi exatamente para retirar o poder do pecado sobre o pecador que Cristo foi enviado ao mundo. No entanto, o mundo quer mensagens bem ornamentadas, bonitas e confortáveis para massagear o ego dos pecadores de mente cada vez mais cauterizada.
Que espécie de festa é o Natal? De um lado está o famoso papai Noel de outro uma manjedoura. Em pleno verão nordestino, quente e seco, os shoppings são enfeitados com pinheiros e neve, com um papai Noel todo agasalhado em dias de sol escaldante. A TV fala de espírito Natalino, mas não há uma só referência a Deus Pai, Filho e Espírito Santo. As pessoas falam de nova vida, mas só as vejo de roupa nova; falam de buscar Deus, mas correm para as lojas e não para as Escrituras onde de fato podem encontrá-lo; falam de amor e preparam bonitas ceias, mas viram as costas para os famintos nas ruas; falam de Natal sem fome, mas deixam crianças o resto do ano sem comer. Para muitos não comemorar o Natal é um sacrilégio, mas desprezam a lei do Senhor o ano inteiro. O mundo fala de vida, mas está morto em seus delitos e pecados (Ef.2.1). E, assim, o evangelicalismo está se tornando mera autoajuda para pessoas que nem mesmo sabem que precisam ser ajudadas. Parece-me, então, que não somente a data do Natal é fictícia, mas os sentimentos também não passam de meras aparências.
Por que, então, é preciso comemorar o Natal? Não há nas Escrituras uma só referência a esta data. A data do nascimento de Jesus é completamente desconhecida e nem mesmo sua morte e ressurreição, que ocorreram na páscoa, foram comemoradas pelos discípulos. A única celebração ensinada na Bíblia é o culto ao Senhor onde ocorria, também, a Ceia ensinada por Jesus, sacramento que faz referência a sua morte e ressurreição e que deve acompanhar a vida da igreja durante o ano inteiro (1Co.11.23-34). O Natal “cristão” é a substituição de uma festa pagã romana celebrada no dia 25 de dezembro onde se comemorava o nascimento do deus-sol, ou seja, o dia mais curto do ano (solstício de inverno). A partir do século IV, as festas pagãs receberam novas roupagens e o dia em que se comemorava o deus-sol passou a ser designado o dia do nascimento de Jesus, fazendo referência ao adjetivo que o Messias recebeu do profeta Malaquias: “sol da justiça” (Ml.4.2).
Mas, para falar de Jesus é preciso primeiro falar do pecado. Foi exatamente o que o apóstolo Paulo fez em Sua exposição do projeto redentor de Deus na carta aos Romanos (Rm.1.18). Quando não há problema não há necessidade de solução. Desta forma, Natal sem calvário é apenas sentimentalismo humanista hipócrita, não tem valor algum e ainda cauteriza as mentes, fazendo-as ignorar os pecados pelos quais Cristo veio morrer. E, sem confissão de pecados não há perdão. A vinda de Jesus teve propósito específico: morrer por pecadores. Ele não veio ensinar um estilo de vida bonito para pessoas nas quais ele acreditava serem essencialmente boas. Esta é a mensagem que o mundo tem pregado destruindo a verdade de que todos são maus e a única esperança para uma vida melhor está na graça e misericórdia divinas que pelo Espírito Santo podem operar eficazmente no pecador que ouve a Palavra de Deus.
A data do Natal é simplesmente fictícia e sua festa não foi instituída pela Escritura, portanto, não pode ser ensinada, tornando-a uma festa obrigatória para a igreja. Na verdade, se um dia a troca do Natal pagão pelo Natal cristão trouxe algum benefício, hoje em dia a data de Natal tem pouca, ou mesmo nenhuma, relevância, tendo em vista a presença marcante do papai Noel e o espírito consumista. Desta forma, se querem falar de Natal, ou seja, do nascimento do Salvador, também devem falar do propósito para o qual Ele nasceu: Salvar o pecador do pecado. Sem o pecado não há necessidade de Natal. Sem reconhecimento dos pecados, arrependimento, confissão e mudança de vida, o nascimento do Salvador não tem efeito em tua vida, pois não há perdão e vida eterna para quem não reconhece e se arrepende de seus pecados. E esta mensagem deve ser pregada não apenas no mês de dezembro, mas o ano inteiro, e não deve ser vivida apenas em quatro paredes, mas testemunhada pelo mundo afora.

Um comentário:

  1. Grande Alexandre,

    Boa reflexão. Corajosa, verdadeira e necessária!

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