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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Alegria da salvação

Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho.” (Sl.4.7)

O ser humano é hedonista por natureza. Seu propósito de vida é o alcance do prazer, e para consegui-lo ele fará qualquer coisa: mentir, roubar, enganar e até matar. O pecado corrompeu completamente a mente humana e o bom desejo de ser feliz se transformou na busca incansável pelo saciar dos apetites naturais, como animais que vivem para satisfazer seus instintos. Contudo, contraditoriamente, o homem natural é inimigo da cruz de Cristo, o único caminho para a felicidade humana. Em Cristo, o homem encontra a libertação da necessidade incontrolável de satisfazer seus apetites, pois na cruz estamos mortos para o mundo, livres de si mesmos. Porém, sem Cristo, “o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas” (Fp.3.19).
Na busca por preencher o vazio e saciar seus apetites, o ser humano se entrega à prostituição, busca o poder, sonha com a riqueza, mergulha no consumismo, adquirindo tudo que está ao seu alcance. Porém, após conseguir todas estas coisas, o homem vê que seu coração continua vazio e o único benefício que conseguiu foi à satisfação temporária de seus apetites naturais; se iludindo para não reconhecer a imensa necessidade de buscar a única fonte de toda felicidade: Deus. A jornada em busca da felicidade torna o homem mais infeliz. Cada nova empreitada frustrada pela impossibilidade de ser plenamente satisfeito por este mundo, traz a sensação de que a felicidade é inalcançável.
Mas, por que não conseguimos a felicidade em nós mesmos? Porque o Criador nos fez dependentes dele. Não somos autossuficientes, não podemos ser felizes sozinhos. Mesmo antes da queda, a felicidade de Adão e Eva estava relacionada com a presença do Espírito de Deus, proporcionando o deleite da criatura em seu Criador. Por esta razão, proclamou o salmista Davi: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl.16.11). Os apóstolos do Senhor Jesus testemunharam a imensurável alegria da salvação, mesmo em meio às circunstâncias adversas. Eles não viveram à procura da felicidade, pois estavam completos por meio de Cristo que lhes enviara o Espírito Santo. Satisfeitos, estavam prontos para viver tanto dias de adversidades quanto de bonanças (Fp.4.12-13).
Não fomos feitos completos em nós mesmos. Deus nos fez de tal forma que sem Ele não temos razão nem propósito para viver, pois o Senhor nos fez para si. Adão e Eva tentaram se libertar da plena dependência de Deus. Contudo, seu resultado foi catastrófico, pois longe de Deus o homem encontrou um imenso vazio dentro de si, não tendo mais alegria em viver. Com a queda dos primeiros pais, o homem deixou de desfrutar da agradável presença do Espírito Santo, ficando o vazio em sua alma. Por esta razão, buscamos a felicidade fora de nós, por meio de afazeres, prazeres, sonhos etc. Há um vazio no coração humano que só Deus pode preencher, pois somente no Senhor o homem encontra a plenitude da felicidade que um dia teve, antes da queda, no jardim do Éden. Em Deus, o homem compreende sua razão de existir e encontra a alegria de viver. O vazio do coração é completamente preenchido e a dependência de Deus é celebrada como privilégio que nos conduz ao Senhor diariamente, pois só Deus é autossuficiente em todos seus atributos; só Ele basta a si mesmo, eternamente.
Mas, apesar da rebeldia de Adão e Eva, Deus não deixou o ser humano viver a miséria de uma vida vazia sem alegria nem esperança. O Senhor deu-lhes a promessa da redenção, ou seja, concedeu-lhes esperança de que um dia a vida humana seria restaurada a sua dignidade e completude. O Espírito do Senhor voltaria a habitar plenamente no homem criado a imagem e semelhança do Senhor (Gn.1.26-27; Ez.36.26-27). Então, conforme a Palavra do Senhor, Jesus veio para cumprir a promessa do Pai. Por meio de Cristo, temos a alegria da salvação, pois Jesus nos justificou perante o Deus Todo-Poderoso. E tendo sido justificados por seu sangue, Cristo nos enviou o Espírito Santo para que tivéssemos plena comunhão com Deus (1Jo.1.3), por meio da habitação do Espírito do Senhor que restaura em nós a imagem de Jesus (2Co.3.18). Agora, somos moradas de Deus (Jo.14.23), e, por isso, não estamos mais vazios nem precisamos mais de subterfúgios para preencher a vida ou para desfrutar de alegrias. Jesus encheu nosso ser e, nEle, somos plenamente felizes.
O mundo desfruta de alegrias, graças à misericórdia do Senhor; o ser humano não se destruiu ainda, graças às intervenções divinas que providenciam a continuidade da vida, conforme os desígnios de Deus. Contudo, a bênção da felicidade está reservada para aqueles creem em Cristo, pois somente aqueles que são atraídos a Ele, pelo Espírito Santo, desfrutam da comunhão do Senhor. E quanto mais profundo é o caminhar do cristão com o Senhor, melhor ele desfruta da alegria da salvação, fazendo-o exclamar: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (S.42.1-2). Portanto, se você deseja ser feliz, entregue sua vida a Jesus e de todo seu coração o busque em oração e meditação na Palavra do Senhor. Pois, ainda que a vida seja uma dádiva divina, e a história humana seja fruto de sua provisão, somente aqueles que andam com Deus conhecem a alegria da salvação.

2 comentários:

  1. Foi muito bom ler o artigo da alegria da Salvação. A cada dia reconheço como precisamos do Senhor Deus . Quão pequenos somos, quão pecadores somos. E quanto precisamos da sua graça e da sua misericórdia. Que o Espírito Santo continue usando o senhor para edificação da igreja.

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