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sábado, 30 de outubro de 2010

Senhor e Senhora Pecado


Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si” (Gl.5.16,17)

O dia do casamento é tenso. Os noivos se arruam durante o dia quase todo. E, em chegando o momento, o nervosismo toma conta do corpo desde o fio de cabelo, amassado com muito gel, até o dedão do pé, amarrotado no calçado que entrou à força. A música é tocada indicando a hora de entrar no salão e enfrentar o longo tapete vermelho. O amor, que um tem pelo outro, recompensa todo esforço gasto, em energia e dinheiro, naquele dia. Finalmente, o pastor chama os noivos para o juramento solene, promessas que deverão durar a vida toda. O noivo promete “dedicar-lhe amor, honrá-la e cuidar dela, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na prosperidade e na adversidade e ser-lhe fiel em tudo, nunca abandoná-la, enquanto Deus for servido conservar ambos com vida”. Em seguida, a noiva também promete, “diante de Deus, amá-lo, honrá-lo, cuidar dele e ser-lhe submissa na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na prosperidade e na adversidade, ser-lhe fiel em tudo e nunca abandoná-lo, enquanto Deus for servido conservar ambos com vida” (Manual do Culto, 1999). A vida do novo casal se inicia.
Os primeiros dias, da vida de casado, são tranqüilos, mas o tempo revela as arestas a serem aparadas. O casal precisa mais que amor para continuar a jornada cristã juntos, como família. Ambos conhecem a Bíblia, ouviram diversas mensagens sobre o relacionamento conjugal, são fiéis nos compromissos com a igreja, e, mesmo assim, começam a enfrentar dificuldades no relacionamento. De quem é a culpa pelas discussões entre o casal? A quem eles devem culpar pelos problemas que enfrentam no relacionamento?
Para o filme: “Sr. & Sra Smith”, lançado em 2005, os inimigos estão do lado de fora da família. Eles querem destruir o lar, voltando os membros da família uns contra os outros. Por isso, os cônjuges, e filhos, devem se unir para resistir às ameaças inimigas que vem do mundo, fortalecendo os laços familiares através da confiança mútua. Para o filme: “Dormindo com o Inimigo”, lançado em 1991, os inimigos, da felicidade pessoal, podem morar dentro de casa. Ele pode ser o marido ou esposa, ou mesmo os filhos, caso qualquer um deles esteja “impedindo” a pessoa de ser feliz, segundo sua concepção pessoal de felicidade. Nesta busca por acusar alguém, síndrome de Adão (Gn.3.12,13), o homem tem encontrado inimigos e culpados em todas as partes. Por se considerar justo demais aos seus próprio olhos (Lc.18.9-14), até mesmo Deus tem sido acusado pelos problemas do ser humano. Em sua cegueira espiritual, o homem não tem percebido que o maior inimigo do relacionamento familiar chama-se: natureza pecaminosa, a agente de todo pecado.
Na carta pastoral anterior, vimos que a Palavra de Deus cumpre três papeis importantes: 1) Revelar a natureza pecaminosa do homem; 2) Revelar a necessidade de um salvador, apontando para Cristo; 3) Santificar o pecador arrependido. Nesta segunda carta, desejamos tratar apenas o primeiro papel da Bíblia: Revelar a natureza pecaminosa do homem. A Palavra do Senhor dará um diagnóstico perfeito do coração do casal e ainda apresentará solução para o problema do homem pecador: “andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si” (Gl.5.16,17).
Quanto mais meditamos na Palavra de Deus, mais somos confrontados com os pecados que há em nós. A Bíblia é um poderoso bisturi que separa o certo do errado: “porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb.4.12). A Escritura lança luz sobre nosso coração revelando os pecados ocultos, as inclinações para o mal, os sentimentos pecaminosos. Sua dedicação na obra do Senhor pode esconder, também, a vaidade, desejo de aparecer, de se exaltar, vontade de mostrar superioridade sobre os demais. A crítica feita ao irmão pode ser mais que um comentário construtivo. O coração poderá estar ocultando inveja, arrogância, menosprezo pelo outro, maledicências, e etc. Muitas boas ações, aparentemente inocentes e proveitosas podem estar acompanhadas de pecados no coração. Não é em vão que o profeta Jeremias diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr.17.9). Você conhece bem o seu coração?
Seu coração é inclinado para o pecado, e o de seu cônjuge também. Esta verdade, revelada na Palavra de Deus, traz duas implicações dignas de reflexão: 1) vocês precisam ter paciência um com o outro; e 2) vocês precisam lutar contra a própria carne.
É necessário andar no Espírito para não satisfazer a vontade da carne. A conversão é mudança de mente e coração, entrega voluntária da própria vida àquele que derramou seu sangue para resgatar a vida do pecador. Vocês já sabem disso, e iniciaram uma jornada com Cristo afirmando diariamente: “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl.2.20).
Nessa jornada a luta contra o pecado é grande e como Paulo você luta contra a própria carne (I Co.9.27), buscando subjugar suas paixões carnais (Hb.12.4): “porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo” (Rm.7.18). Não é diferente com o seu cônjuge. Ele, ou ela, também luta contra a natureza pecaminosa, ou deveria estar lutando, e por isso precisa da sua paciência. É necessário “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Ef.6.11). Por isso, ore constantemente por ela, ou ele, rogando a misericórdia do Senhor sobre a vida do cônjuge, a fim de conceder-lhe vitória sobre as batalhas diárias contra a natureza pecaminosa. A luta do cristão “não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef.6.12). Seu cônjuge precisa mais de sua ajuda, que de suas críticas ou julgamentos impiedosos. Tome cuidado para não orar como o fariseu da parábola de Jesus: “O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano” (Lc.18.11). Lembre-se que ele não foi justificado para casa (Lc.18.14). Edifique seu cônjuge com a Palavra de Deus, interceda por ele, ou ela, fortaleça-0(a) se dispondo a caminhar a vida cristã ao seu lado. Seu cônjuge tem enfrentado lutas terríveis contra a carne e precisa de você para aliviar seu coração com palavras de vida: A Palavra de Deus.
Mas, nesse companheirismo cristão, levando “as cargas uns dos outros” (Gl.6.2), não esqueça de lutar contra a sua própria natureza carnal. Seu coração é tão pecador quanto o de seu cônjuge e precisa do mesmo remédio: A Palavra de Deus. Não sejas forte ou justo aos seus próprios olhos. Ouça Deus dizer: “minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (II Co.12.9). Revele ao cônjuge sua necessidade de ajuda, de oração contínua em seu favor. Queira ser edificado pela Palavra pregada, também, pelo seu cônjuge. Vocês são feitos da mesma substância: pó (Gn.3.19). Vocês possuem o mesmo coração enganoso. Vocês precisam da mesma graça redentora e poder transformador. Ao reconhecer sua inclinação para o pecado e necessidade de ajuda, você estará disposto a admitir que possa ter errado tanto quanto seu cônjuge é passível de erros. Desta forma, os dois andarão juntos sempre “humildemente com o Senhor vosso Deus” (Mq.6.8).
Ao reconhecer que tanto você quanto seu cônjuge são pecadores, vocês se dispuseram a ter mais paciência um com o outro e a se ajudarem na luta contra o pecado. Quando seu cônjuge pecar dirás: - você é um(a) pecador(a), precisa da graça de Deus e por isso estou disposto a orar por você. E, enquanto oras e pregas para ele(a), você luta contra sua própria natureza para que estando em pé tenha cuidado para não cair (I Co.10.12).

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