Pages

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Reino de Deus em nós

Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.” (Lc.17.21)

Há dois mil anos atrás, Jesus, nascido numa manjedoura, filho de carpinteiro, residindo na pobre cidade de Nazaré, trouxe ao mundo a inauguração do maior, mais duradouro e mais glorioso Reino que este mundo já presenciou. Jesus trouxe uma porção, ainda limitada, do Reino celestial, a fim de ser desfrutado antecipadamente, até a chegada de sua plenitude eterna. Este Reino celestial já está entre nós! Mas como evidenciá-lo ao mundo?
O caminho até a chegada do Reino de Cristo foi longo e difícil. Por causa dos muitos pecados cometidos diariamente, durante o Antigo Testamento, sem nenhuma preocupação com um verdadeiro arrependimento e mudança, o povo de Israel foi levado cativo para a Babilônia em 586 a.C., e a partir deste episódio, Israel foi subjugado por diversos reinos sequencialmente: Babilônico, Medo-Persa, Grego, Ptolomaico e Selêucida, e Romano. Toda a experiência vivida por Israel, naquele período, fez com que o povo ansiasse pela reconstituição de seu próprio reino, livre e glorioso à semelhança do reinado nos dias do rei Salomão: “Eram, pois, os de Judá e Israel muitos, numerosos como a areia que está ao pé do mar; comiam, bebiam e se alegravam. Dominava Salomão sobre todos os reinos desde o Eufrates até à terra dos filisteus e até à fronteira do Egito; os quais pagavam tributo e serviram a Salomão todos os dias da sua vida.” (I Rs.4.20-21). Enquanto, no período interbíblico, os judeus criaram uma expectativa de tornarem-se um reino próspero e dominante na terra através da chegado do messias libertador, o dia da chegada do Reino dos céus estava próximo e viria através do Deus-homem sentado num jumentinho.
Jesus trouxe o Reino glorioso de Deus, manifestado em seu poder sobre o império das trevas: “Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.” (Mt.12.28). No entanto, Israel não conseguiu ver em Cristo um Rei e nem em sua proposta um reinado libertador e próspero tão esperado por todos. Israel não entendeu que “o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” (Rm.14.17). Jesus estava anunciando um reinado isento de interesses políticos, ausente de construções formosas, à parte do domínio econômico mundial, sem exército e generais. Qual a razão de ser deste reino tão aparentemente impotente? Onde está a glória deste reino celeste anunciado por um carpinteiro?
Jesus estava trazendo “um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre,” (Dn.2.44). O Reino dos céus é a manifestação do poder e glória, graça e vida abundante de Deus entre o Seu povo. Cristo, o mediador e herdeiro do Reino dos céus, veio com poder, libertando os endemoniados, curando os enfermos, restaurando os marginalizados. Cada gesto e Palavra de Jesus era uma manifestação do poder, glória, graça e abundante vida do Reino de Deus.
Como mostrar ao mundo a presença real do Reino de Deus que é invisível, ausente de estrutura física e palpável, no entanto, glorioso e superior a todo e qualquer reino deste mundo? Como revelar o poder, a glória, a graça e abundante vida deste Reino? O Reino de Deus é propagado através da Pregação da Palavra de Deus e por meio da vida daqueles que são súditos, e filhos, deste Reino eterno.
A igreja, desta forma, precisa continuar pregando o evangelho a todas as gerações e nações, para que o Reino dos céus continue a crescer. A igreja prega a justiça e santidade do Reino de Deus, mostrando ao mundo os valores eternos e perfeitos deste Reino sem mancha. Enquanto os reinos humanos são marcados pelo pecado e todo tipo de injustiça, o Reino eterno de Cristo é santo, como Santo é o Senhor do Reino. Ainda que o Reino seja santo e justo não é excludente. A graça divina, presente no Reino de Deus, possibilita ao pecador, que reconhece com sinceridade sua condição miserável e necessidade da justiça de Cristo, a inclusão no perfeito Reino divino através da justiça do justo e justificador, Jesus. Dentro deste reino invisível, mas glorioso, o pecador justificado encontra vida.
Neste Reino recebe-se o amor incondicional de Deus, que alcança até o mais solitário dos homens; a paz de Deus que excede todo entendimento, capaz de guardar os corações nas lutas da vida; a esperança da vida eterna, que concede sentido às frágeis vidas humanas; a alegria no Senhor, mesmo em meio a lágrimas diante das aflições do mundo; e “toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Ef.1.3). Ao anunciar o agir de Deus, Seu poder, glória, graça e abundante vida, a igreja está anunciando o Reino presente e eterno de Seu Filho, dominando e subjugando os poderes deste século.
Todas as vezes que você submete seus pensamentos, que por natureza se inclinarão para o pecado, à santidade do Senhor Jesus, você estará revelando o poder do Reino de Deus para subjugar tua vida ao Reinado eterno e poderoso de Jesus. Assim, ocorrerá com cada gesto e palavra dita ou evitada, por causa do conhecimento da Palavra de Deus. Desta forma, você mostrará ao mundo que o Reino de Deus é realmente poderoso, não só para justificar o pecador, como também para transformá-lo com poder, moldando-o ao caráter de Cristo. O mundo verá que o poder transformador deste Reino é glorioso, ou seja, santo, justo, verdadeiro, amável. Verá ainda, que tais valores, poderosamente trazidos ao pecador, agora justificado, trazem consigo, de forma graciosa, a vida abundante deste Reino concedendo o prazer de ser súdito do Reino de Deus. Nestes termos, vê-se a seriedade de cada palavra e ação da igreja perante o mundo. Cada uma delas carrega consigo a mensagem do poder, glória, graça e abundante vida que o Reino veio trazer para os pecadores arrependidos.

O Reino de Deus não possui templos, catedrais, mansões, riquezas; ele se manifesta por meio da vida da igreja e deve ser visto em cada palavra e ação dos discípulos de Jesus, súditos do Reino dos céus. Quando a igreja deixa de submeter sua vida ao poder transformador do Senhor, o Reino de Deus é deixado de lado, juntamente com sua glória, graça e vida, pois a igreja visível, presente no mundo, e o Reino celeste, que veio com Jesus, não são a mesma coisa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário